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Momade está a "atrasar o relógio" para continuar no poder?

22 de janeiro de 2026

Ossufo Momade reafirma que deixará a liderança da RENAMO e não será candidato em 2029, mas sem indicar data. Ex‑guerrilheiros dão seis meses para a saída e ameaçam agir. Analista diz que Momade tenta apenas ganhar tempo.

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Ossufo Momade, líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO)
"Aquilo que estão a acompanhar, alguém a falar mal de Ossufo, é a democracia", disse o líder da RENAMOFoto: Nádia Issufo/DW

Há mais de dois anos que membros e ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) pedem a demissão voluntária de Ossufo Momade da liderança do partido, devido à crise instalada no seio da perdiz. Má gestão, falta de pagamento de pensões e subsídios, perseguições internas e suposta inoperância constam das reivindicações.

Os ex-guerrilheiros, que lideram o movimento no país, voltaram este ano a exigir a saída de Momade. Edgar Silva, coordenador nacional da autoproclamada comissão de gestão da RENAMO, fez um ultimato: "Nós vamos dar um limite, até finais deste semestre, se as coisas não tomarem o destino que nós pretendemos, vamos agir de outra maneira", disse.

A antiga milícia da RENAMO diz estar a preparar um congresso extraordinário para a retirada do atual presidente. Mas Ossufo Momade disse há dias em Nampula, no norte de Moçambique, não estar surpreso com a atual crise no seio do partido que lidera.

"Isto não está a iniciar com Ossufo Momade, mesmo com o presidente Dhlakama já tivemos casos idênticos. As crises aconteceram, mas nunca paramos. Aquilo que vocês estão a acompanhar, alguém a falar mal de Ossufo, é a democracia. Se nós não fossemos democratas ninguém teria forças de falar de nós, porque sabem que eles não vão ser nossos", afirmou Edgar Silva.

RENAMO rejeita rumores da saída de Momade

Ossufo nao avança datas

Na passada sexta-feira (16.01), segundo o Jornal Rigor, editado na cidade de Nampula, o presidente da RENAMOanunciou, num encontro com os desmobilizados, que não irá concorrer às próximas eleições gerais, previstas para 2029, e admitiu deixar a liderança do partido.

Ainda de acordo com a publicação, apesar de Ossufo Momade anunciar que vai abandonar a liderança que assume desde 2019, depois da morte de Afonso Dhlakama, sem referir datas, assegurou que continuará membro do partido. 

Por isso, apelou à união e coesão entre os membros da RENAMO, afirmando estar convicto de que, com trabalho conjunto, a organização poderá alcançar a vitória nas eleições de 2028/2029.

O analista e académico Wilson Nicaquela entende que esta é uma estratégia de Momade para "atrasar o relógio" e continuar, assim, no poder. "Na verdade, ele procura ir fazendo uma gestão de expectativas para que as pessoas menos atentas compreendam que ele não pretende continuar no partido, mas é um anúncio desnecessário porque é essa intenção dos que reivindicam a renúncia de Ossufo Momade à presidência da RENAMO pretendem", argumenta.

"Eles são devidamente informados ao término do seu mandato e provavelmente a olhar pelas crispações internas não havia condições morais e nem materiais para o próprio Ossufo Momade se recandidatar em 2029", acrescenta Nicaquela.

O analista lembra ainda que o sonho do oprimido é tornar-se opressor. "Acho Ossufo Momade uma pessoa menos inteligente e, sobretudo, que sofre tantas influências e está seguramente a reproduzir o mesmo comportamento e mesmas atitudes a que ele mesmo se propunha a contestar. Portanto, o sonho do oprimido é de se tornar opressor e é isso que estamos a assistir no comportamento do senhor Ossufo Momade", conclui.

Manica: Ex-guerrilheiros da RENAMO defendem Momade

Sitoi Lutxeque Correspondente da DW África em Nampula