Juventude da RENAMO pede eleição de novo líder em 2026
16 de outubro de 2025
"Olhos nos olhos, com honestidade, assumamos que o nosso partido não está bem. Não estamos bem não apenas no nosso relacionamento interno, mas também no nosso relacionamento com o povo", disse o presidente da Liga da Juventude da RENAMO, durante a reunião do Conselho Nacionaldo partido, que decorre hoje na província de Nampula, norte de Moçambique.
Para Mazanga, a crescente onda de contestação ao atual líder do partido, Ossufo Momade, com ex-guerrilheiros a encerrar sedes e delegações, não orgulharia aos "heróis tombados" nem aos vivos que lutaram pela democracia, daí ser necessário que se deixe o "orgulho de lado" para "abraçar" à vontade do povo.
A RENAMO perdeu o estatuto da segunda força política mais votada nas eleições gerais de 9 de outubro de 2024, passando de 60 deputados, nas legislativas de 2019, para 28. Desde então, cresceu uma onda de contestação ao atual líder do partido, com ex-guerrilheiros a encerrar sedes e delegações, com exigências de realização de um Conselho Nacional daquela formação política.
Ossufo Momade, reeleito para um segundo mandato de cinco anos em 2024 e que já disse que não se volta a candidatar ao cargo, é também acusado de alegada "má gestão", falta de pagamento de pensões e subsídios e de "incompetência total" face à crise no partido.
"A essência nunca foi apenas governar a RENAMO, mas sim trazer soluções para servir o povo moçambicano no seu todo. Excelências, precisamos discutir o assunto do nosso partido com o realismo, e o realismo nos manda dizer que o pior do que não sermos o primeiro lugar nas eleições de 2024 é termos reduzido os assentos de forma histórica", afirmou Ivan Mazanga, ao intervir na reunião.
Apelou ainda aos membros da RENAMO que se unam e parem de encerrar as instalações do partido, bem como a parar com suspensões de membros: "Como partido político precisamos de incluir e não excluir".
"A Liga da Juventude propõe a este conselho nacional (...) que marque uma sessão do conselho nacional alargado até ao primeiro trimestre de 2026, com a finalidade de elegermos um candidato às presidenciais de 2029", disse.
"Relançar" imagem da RENAMO
Para o presidente do movimento juvenil partidário, a eleição atempada do líder do partido permitiria à RENAMO apresentar-se ao povo "relançando" a sua imagem.
"O outro cenário da proposta que a juventude nos manda trazer é a marcação de um congresso extraordinário, (...) pela profundidade dos problemas que o partido atravessa", apontou.
Por sua vez, Ossufo Momade, que assumiu a presidência da RENAMO em janeiro de 2019, após a morte de Afonso Dhlakama (1953 -2018), e foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente, disse, durante o seu discurso de abertura do evento, que o partido não vai aceitar "pressões" que põem em causa os objetivos e a agenda daquela força política.
Ossufo criticou a "manipulação da opinião pública" contra o partido RENAMO por alguns quadros e a "promoção do ódio e da desunião".
"Exortamos a todos os membros e quadros a acompanharem a dinâmica do partido de forma serena e responsável, pelo que não aceitamos pressões que põem em causa o normal funcionamento e a coesão interna. Sublinhamos, não aceitamos pressões que põem em causa os objetivos, ideais e agenda da RENAMO", acrescentou.