Ossufo Momade apela à união na RENAMO
16 de outubro de 2025
O líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) apelou hoje à unidade interna no partido, durante o Conselho Nacional na cidade de Nampula.
Ossufo Momade acusou alguns ex-combatentes da RENAMO de estarem a promover "intrigas" e "linchamento de caráter" na imprensa e nas redes sociais, alegadamente para destruir o partido.
"Reiteramos o nosso apelo de juntarmos as nossas forças e nos unirmos de modo a preparamos as eleições de 2028-2029. Qualquer diferença não pode estar acima dos nossos objetivos", apelou.
Jovens pedem eleição de presidente em 2026
Mais de 200 membros da RENAMO, entre conselheiros e convidados, reuniram-se, esta quinta-feira, na cidade de Nampula para discutir o futuro do partido.
Na abertura do encontro, a Liga Juvenil, liderada por Ivan Mazanga, apelou a mudanças urgentes, sobretudo depois da RENAMO ter passado de segunda para terceira força política nas últimas eleições gerais.
"Precisamos de nos reconectar com aqueles que são e sempre foram a razão da nossa existência: o povo. Sem o povo, hoje somos o número três e amanhã podemos não ser nada", afirmou Mazanga.
O líder na Liga Juvenil acrescentou que é preciso "deixar o orgulho de lado" e discutir os assuntos do partido com lealdade: "Como família RENAMO, temos de nos unir. Paremos de encerrar as nossas instalações, porque precisamos delas para trabalharmos."
Para Ivan Mazanga, a RENAMO devia eleger um novo líder já no próximo ano, face à contestação crescente a Ossufo Momade.
"A Liga da Juventude propõe a marcação de um Conselho Nacional alargado até ao primeiro trimestre do próximo ano para elegermos um candidato às presidenciais de 2029", anunciou Mazanga. "Isso faria com que essa individualidade tivesse tempo suficiente para se apresentar e relançar a imagem da RENAMO."
Pensões dos ex-combatentes
A Associação dos Combatentes da Luta pela Democracia (ACOLD), ala militar da RENAMO, representada por Domingos Cundana, também se manifestou contra o que chamou de "fofocas e mentiras" veiculadas por alguns membros nos média: "A estes, apelamos à consciência, pois eles sabem que, ao atacar a liderança, estão a atacar toda a locomotiva."
Ao mesmo tempo, a ACOLD apelou a Ossufo Momade que pressione o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) pela regularização das pensões dos combatentes desmobilizados.
Momade respondeu, afirmando que a responsabilidade pelo pagamento das pensões é do Governo. O presidente da RENAMO criticou ainda a falta de apoio da comunidade internacional aos projetos de reintegração dos ex-combatentes. "O processo está parado" por esse motivo, disse Momade.
A reunião do Conselho Nacional da RENAMO em Nampula começou sob tensão, após uma tentativa de impedir a entrada de figuras como Alfredo Magumisse e Elias Dhlakama. A ausência de outros nomes de peso, como Manuel de Araújo e António Muchanga, também foi notada, embora não tenha sido possível apurar se eles participariam no Conselho Nacional.