Tropas ruandesas treinam militares moçambicanos
11 de outubro de 2025
De acordo com um comunicado do Ministério da Defesa do Ruanda, o contingente, que terminou a sua missão de um ano em Moçambique na sexta-feira (10.10), treinou, neste período, os primeiros militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) num curso avançado de infantaria e reforçou a cooperação com as forças moçambicanas.
O grupo, liderado pelo major-general Emmy Ruvusha, comandante da Força-Tarefa Conjunta das Forças de Segurança do Ruanda (RFS) em Moçambique, também ajudou a construir confiança com as comunidades locais, segundo o documento.
Em Cabo Delgado, província rica em gás, as Forças Armadas de Moçambique contam com o apoio, no combate aos grupos terroristas que operam na região desde 2017, com forças do Ruanda e da vizinha Tanzânia - ao abrigo de um acordo de apoio transfronteiriço -, enquanto a missão militar dos países da África Austral deixou o terreno em julho de 2024.
"Ao longo de sua implantação, o contingente de saída fez progressos significativos nas operações de contraterrorismo, libertando com sucesso várias áreas anteriormente sob controle terrorista", descreveu o ministério ruandês, garantindo que os esforços destas tropas contribuíram para o retorno seguro de um "grande número" de pessoas deslocadas internamente para suas casas naquela província.
Cooperação na área militar
De acordo com o comunicado, Emmy Ruvusha entregou oficialmente as responsabilidades de comando ao major-general Vincent Gatama, na Sede da RSF no distrito de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, onde estiveram presentes os comandantes, juntamente com seus respetivos membros da equipe.
"Durante a cerimónia, ambos os comandantes expressaram seu agradecimento ao contingente cessante por sua dedicação e realizações impactantes no ano passado", acrescentou-se no comunicado.
Moçambique e o Ruanda assinaram em 27 de agosto último, em Kigali, durante a visita do chefe de Estado moçambicano, um acordo sobre o Estado da Força (SOFA – Status of Forces Agreement, na sigla inglesa), ditando as regras da utilização das tropas ruandesas que estão a trabalhar no combate, desde 2021, aos grupos extremistas que protagonizam ataques na província de Cabo Delgado.
O Presidente de Moçambique afirmou, na altura, que o instrumento jurídico não representa a criação de um novo acordo militar e não prevê o aumento do contingente ruandês no país.
Atualmente, os dois países cooperam, principalmente, na área militar com uma força de mais de dois mil militares ruandeses no combate aos grupos extremistas que operam na província de Cabo Delgado, protegendo nomeadamente a área em que a francesa TotalEnergies tem um empreendimento para explorar gás natural.
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, considerou este mês como “atos bárbaros” e contra a “dignidade humana” os ataques terroristas no norte do país.
O Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) contabiliza 6.257 mortos ao fim de oito anos de ataques terroristas em Cabo Delgado, alertando para a instabilidade atual, com o recrudescimento da violência.