Surto de Ébola na RDC intensifica-se e já atinge vizinhos
18 de maio de 2026
Pelo menos 91 pessoas já terão morrido no novo surto deÉbola naRepública Democrática do Congo(RDC), segundo o Ministério da Saúde congolês. AOrganização Mundial da Saúde (OMS) declarou, no domingo (17.05) uma "emergência de saúde pública de importância internacional" devido ao risco de propagação da doença para outros países africanos.
O surto é causado pela variante Bundibugyo do vírus Ébola, uma estirpe rara para a qual ainda não existem vacinas nem tratamentos aprovados.
As autoridades congolesas registam cerca de 350 casos suspeitos na província de Ituri, no leste do país. O ministro da Saúde da RDC, Roger Kamba, afirmou que o Governo está a acelerar a resposta sanitária e prepara a abertura de centros de tratamento em Bunia, Rwampara e Mongbwalu.
Casos já ultrapassaram fronteiras
O Uganda registou pelo menos três casos associados ao surto, incluindo uma morte, enquanto o Sudão do Sul confirmou um caso perto da fronteira com a RDC.
As autoridades sul-sudanesas informaram que o paciente está isolado e sob observação médica no estado de Equatória Ocidental. Equipas de resposta rápida foram mobilizadas para rastrear contactos e reforçar a vigilância nas comunidades fronteiriças.
Perante o risco de transmissão regional, vários países africanos reforçaram controlos sanitários nas fronteiras. O Ruanda anunciou medidas mais rígidas de vigilância e restrições de circulação.
OMS envia ajuda de emergência
Quase sete toneladas de equipamento médico e 35 especialistas internacionais chegaram à província de Ituri, na RDC, para apoiar o combate ao surto. O material inclui equipamentos de proteção individual, tendas, camas hospitalares e kits de diagnóstico.
A OMS também mobilizou um comboio com 18 toneladas de suprimentos médicos a partir dos seus centros de emergência no Senegal e no Quénia, com apoio logístico da missão das Nações Unidas na RDC.
Segundo a organização, a declaração de emergência internacional significa que o surto representa um evento grave, com risco de propagação além-fronteiras, exigindo coordenação e resposta internacional urgente.
Vírus tem elevada taxa de mortalidade
A nova variante do vírus Ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
De acordo com a OMS, a taxa de mortalidade pode variar entre 25% e 90%, dependendo da estirpe e das condições de resposta médica.
Este é o 17.º surto de Ébola registado na República Democrática do Congo desde que o vírus foi identificado pela primeira vez, em 1976.