Moçambique: RENAMO sofre deserções em massa na base tradicional de Sofala | NOTÍCIAS | DW | 01.05.2020

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NOTÍCIAS

Moçambique: RENAMO sofre deserções em massa na base tradicional de Sofala

Dezenas de pessoas abandonam o maior partido da oposição na província tradicional de Sofala, queixando-se da liderança e denunciando perseguições. Várias filiaram-se na FRELIMO, outras foram para locais desconhecidos.

Foto de arquivo: Campanha da RENAMO para as eleições de 2019

Foto de arquivo: Campanha da RENAMO para as eleições de 2019

Cada vez mais membros da RENAMO, incluindo um delegado e um mandatário distrital, voltam as costas ao partido em Gorongosa, Maringué, Chibabava e Búzi, na província de Sofala, alegando que há "falta de democracia interna". Acusam em particular o presidente da RENAMO, Ossufo Momade, de criar um ambiente de "ditadura".

Isac Zeca desempenhava o cargo de delegado político distrital da RENAMO em Gorongosa, mas alistou-se entretanto no partido no poder em Moçambique, a FRELIMO: "Neste momento, eu voltei à casa, que é aqui na FRELIMO. Eu fiz uma análise e vi que não há mais esperança".

Ao todo, em Gorongosa, 53 pessoas abandonaram o partido nas últimas semanas. No distrito de Maringué foram 49.

Ernesto Angelino era forte defensor da atual liderança da RENAMO, chegou a ocupar o cargo de mandatário do partido na província de Sofala. Hoje diz-se arrependido. "Já sou velho, já tenho crianças - não têm formação, não têm nada. Eu comecei a refletir onde é que tem uma machamba fértil para fazer a minha produção e ela ser valente, eu fazia muito trabalho mas não tinha rendimento, é ficar totalmente estagnado numa água que nem vem, nem vai", afirma.

Questão de vida ou morte

Um mês antes de abandonar a RENAMO, Ernesto Angelino disse à DW que, internamente, se vivia um clima de tensão - e havia raptos e assassinatos contra membros do partido. A situação teria sido denunciada ao presidente Ossufo Momade, mas nada teria sido feito. 

Mosambik RENAMO Oppositionspartei neuer Vorsitzender Ussufo Momade

Ossufro Momade na Gorongosa

Ernesto Angelino presume que seja por isso que tantas pessoas se estejam a juntar à FRELIMO: "Se eu não vou fazer aquilo que é a vontade deles, eu posso morrer e ninguém está a favor da morte. O que também nos preocupa é quando você vê que uma pessoa lhe vai tirar a vida, você prefere entregar-se, ser escravo dessa pessoa, para você se safar da morte".

Mariano Nhongo, líder da autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO e opositor confesso de Ossufo Momade - refere que há uma "caça às bruxas" na região. E aponta o alegado culpado: "Ossufo já enviou os documentos a cada província, estão nas mãos dos comandantes e do SISE, os documentos têm cada nome dos membros da RENAMO para serem fuzilados", acusa.

Nhongo contesta o acordo de paz de agosto de 2019 e lidera um grupo de guerrilheiros que tem feito vários ataques no centro do país.

Contactado pela DW, o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, rejeita categoricamente as acusações: "É mentira, nem sequer dê importância a isso. É mentira. Não tem nada a ver".

O porta-voz da RENAMO atribui o que está a acontecer a "esquadrões da morte", que têm ameaçado e raptado membros da oposição. "Eles foram perseguidos e, como condição para não serem presos, foram obrigados a aparecer como tendo abandonado a RENAMO e filiar-se ao partido FRELIMO", explica. "Mais uma vez, isso revela que os 'esquadrões da morte' de facto continuam a perseguir pessoas. E a única maneira que os membros do partido têm para manter a sua vida é ceder às chantagens, porque isto aqui é uma chantagem política".

Segundo José Manteigas, a situação já foi denunciada às autoridades. A RENAMO pede um inquérito detalhado ao que se está a passar no centro de Moçambique.

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