Itália investiga morte de jovem de origem cabo-verdiana | Cabo Verde | DW | 09.09.2020

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Cabo Verde

Itália investiga morte de jovem de origem cabo-verdiana

Os acusados de espancar até a morte o ítalo-cabo-verdiano Willy Monteiro negam as agressões. Esta quarta-feira, realiza-se a autópsia ao corpo da vítima. Justiça valiou a prisão em flagrante dos acusados.

Homenagens ao jovem morto na cidade de Colleferro, arredores de Roma

Homenagens ao jovem morto na cidade de Colleferro, arredores de Roma

A Justiça italiana validou na manhã desta quarta-feira (09.09) a prisão em flagrante dos quatro acusados do homicídio do jovem ítalo-cabo-verdiano Willy Duarte Monteiro.

Os irmãos Gabriele e Marco B. e Marco P. permanecem detidos na penitenciária de Rebibbia, em Roma, enquanto a Francesco B. foi concedida a prisão domiciliária. No decorrer do depoimento preliminar desta terça-feira (08.09), Francesco afirmou ter visto um dos irmãos Bianchi golpear Willy. 

Diante do juiz, na audiência preliminar, os acusados disseram ter apenas "apartado" uma briga na qual Willy teria se envolvido. Domenico Marzi, o advogado da família Monteiro falou em "piada" de mau gosto. "Eles decidiram fazer essas declarações, quase como se quisessem dar a entender que Willy tenha feito mal a si mesmo; é uma piada de mau gosto diante da gravidade do episódio".

Mas o advogado questionou: "Como esses jovens, que dizem não ser responsáveis pelo espancamento, ao verem um garoto caído no chão, não o levaram imediatamente ao hospital? Aqui vemos que muitas vezes algumas estratégias de defesa objetivamente não têm credibilidade alguma".

Crime comoveu a Itália

Os irmãos Gabriele e Marco B., além de Mario P. e Francesco Belleggia foram presos em flagrante na manhã seguinte ao crime, que aconteceu por volta das 2h da madrugada de domingo, na cidade de Colleferro, a cerca de 50 quilómetros ao sul de Roma, capital italiana. 

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Willy Duarte Monteiro nasceu em Roma, filho de cabo-verdianos da ilha de São Nicolau, que há muitos anos vivem na pacata cidadezinha de Paliano. Aos 21 anos, Willy trabalhava num hotel e sonhava em jogar futebol na Roma. O crime comoveu a Itália e desencadeou uma série de protestos nas redes sociais.

O embaixador de Cabo Verde em Roma, Jorge de Figueiredo Gonçalves, declarou à DW que mantém contato frequente com os pais de Willy e que confia plenamente nas autoridades italianas.

"Esta embaixada confia no adequado processo subsequente e estará atenta, devendo simplesmente acompanhar a evolução da situação e dela dar conta às autoridades de Cabo Verde, para além de se disponibilizar em dar todo o apoio à família enlutada lá onde se vier a mostrar necessário", disse.

O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte telefonou aos pais de Willy e disse ter ficado chocado com a notícia. Já o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, numa mensagem publicada no Facebook, disse que "a morte brutal do jovem conterrâneo Willy Duarte Monteiro causa dor, mas, igualmente, indignação e revolta".

A autópsia ao corpo de Willy está marcada para esta quarta-feira (09.09). A família da vítima pediu justiça nas únicas declarações feitas aos jornais italianos.  

Artigo atualizado no dia 10 de setembro às 12h44 do Tempo Universal Coordenado

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