Ex-guerrilheiros criam comissão para destituir Ossufo Momade
30 de setembro de 2025
Mais de uma centena de ex-guerrilheiros da RENAMO acaba de criar uma comissão de gestão que desenvolverá as suas atividades em paralelo com os órgãos do partido eleitos no último congresso, realizado em Alto Molócué. Esta iniciativa faz parte das cinco decisões traçadas para destituir do cargo o atual líder da perdiz, Ossufo Momade, num período igual ou superior a 45 dias.
A comissão de gestão, criada pelos ex-guerrilheiros da RENAMO, pretende assumir interinamente a liderança do partido.
Um dos seus principais objetivos é a aprovação de uma moção de censura contra as atitudes de Ossufo Momade, que, segundo os ex-combatentes, tem causado danos à "saúde" do partido, em prol de um grupo restrito que favorece os seus interesses pessoais, explica Edgar Silva, porta-voz dos ex-combatentes e um dos coordenadores regionais da comissão.
"Há muito compadrio, muito nepotismo e muita arrogância nas atitudes do presidente da RENAMO. Muito recentemente, em vez de nomear pessoas que realmente representam a RENAMO, nomeou o seu filho para nos representar no diálogo nacional e inclusivo. Deviam ser pessoas que não pertencem à sua família", explicou.
A reabertura das sedes provinciais, que estavam fechadas, é outra prioridade dos ex-guerrilheiros, visando à organização de um Congresso Nacional extraordinário. Edgar Silva acrescenta que a insatisfação do grupo com Momade vai ainda mais longe:
"Praticamente, a RENAMO foi sequestrada por um grupo de indivíduos que estão amealhando riqueza, enquanto os verdadeiros combatentes estão na desgraça. Achamos que a FRELIMO sequestrou a RENAMO. Este sequestro tem o compadrio do senhor Ossufo Momade. A queda da RENAMO hoje é responsabilidade do senhor Ossufo, que está ali simplesmente para receber benesses da FRELIMO", concluiu.
"Não é o momento de voltar à instabilidade"
Os ex-guerrilheiros da RENAMO querem ainda persuadir o Governo, a sociedade civil e a comunidade internacional a reconhecer as suas reivindicações, sobretudo as pensões dos desmobilizados do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), que consideram irrisórias.
Em entrevista à DW, o jurista Nelson Benjamim considera que os trabalhos da comissão de gestão podem não surtir os efeitos desejados, porque o partido tem os seus órgãos eleitos em sede de congresso e, além disso, os objetivos da comissão não são claros.
"Não se avança, por exemplo, sobre quem será o líder máximo da comissão de gestão. Fala-se apenas de três figuras que poderão gerir a comissão. Isso deve preocupar a sociedade e o país, pois não é o momento de se voltar à instabilidade política", ressalta.
O jurista deixa o alerta: "Sabe-se que, muitas vezes, esses conflitos internos acabam por resvalar para situações que afetam as comunidades. É importante que haja muita atenção a esta comissão de gestão, para compreender, de facto, qual é o seu propósito e como serão materializados os seus objetivos", avisa.