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Ossufo Momade procura culpados para queda da RENAMO?

15 de setembro de 2025

Líder da RENAMO, Ossufo Momade, acusa Elias Dhlakama e Alfredo Magumisse de financiaram ex-combatentes para encerrarem sedes do partido com a finalidade de o derrubar, mas avisa que não vai ceder.

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Líder da RENAMO, Ossufo Momade
Ossufo Momade acusa antigos adversários internos de serem os protagonistas da instabilidade dentro da RENAMOFoto: Nádia Issufo/DW

Em Moçambique, Ossufo Momade quebrou o silêncio e veio publicamente, através de uma entrevista produzida internamente e amplamente difundida nas redes sociais da segunda maior força da oposição, aRENAMO, apontar o dedo aos que considera inimigos do partido, a segunda maior força da oposição.

Segundo Momade, os cabecilhas são o general Elias Dhlakama e Alfredo Magumisse, que arquitetaram o encerramento de todas as sedes das delegações provinciais e nacional, mas nesta última tentaram negociar, sem sucesso.

“Primeiro, eles [ex-guerrilheiros a mando dos acusados] encerraram algumas delegações nas províncias, depois apareceram aqui [na sede nacional], até que tentaram encerrar o gabinete de trabalho do presidente. Mas antes de chegarem aqui, eu tive informação, através de alguns elementos da sociedade civil, alegando que queriam uma conversar com a liderança do partido", relata Momade. 

O líder da RENAMO conta ainda que quando perguntou quem eram as pessoas que queriam "conversar com a liderança do partido", lhe foi dito que era Elias Dhlakama e Alfredo Magumisse.

"Esses dois seriam pessoas que podiam trabalhar para retirar os que estavam na sede nacional. Eu não concordei, porque sabia que esses os dois são os autores da vinda daqueles que saíram das províncias para estarem na sede nacional", acrescentou.

Ossufo Momade não concordou, porque segundo ele, os membros não precisam de intermediários, sobretudo forasteiros, para dialogar com a liderança. Momade acusa-os ainda de financiar membros para criar desestabilização, mas diz saber os seus objetivos.

“Isto é uma chantagem, não tem outro nome. E querem assaltar o poder, mas enquanto eu estiver a dirigir o partido, nunca vão assaltar o poder. Eu os desafio.”

Ossufo Momade está "desnorteado"

Elias Dhlakama, irmão do falecido líder do partido, Afonso Dhlakama, nega as acusações e afirma que Ossufo Momade anda bastante desnorteado.

“Não é minha vocação e não constitui a verdade. O próprio Ossufo Momade deve saber o que está a fazer e porque deixou a RENAMO nas condições em que está. Se eu precisar do Ossufo Momade vou para a casa dele. Eu já conversei várias vezes a criticar o Ossufo Momade e já lhe avisei desde há muito tempo que está a colocar o partido numa situação [de queda]”, disse.

Dhlakama diz que não pretende chegar ao poder do partido por vias que não sejam as eleições internas, por isso assegura que vai incansavelmente concorrer à liderança do RENAMO.

Alfredo Magumisse, outro quadro sénior da RENAMO acusado de promover desordem, desvaloriza Momade.

“Lamento muito comentar ideias promíscuas e baratas de uma pessoa adulta a falar de coisas tão ingénuas. Não tenho nada a dizer. Lamento muito, acho que devia cuidar de outras coisas. Não vou entrar na luta de gente sem visão”, reitera.

O académico e jornalista Aunício da Silva diz que as recentes declarações de Ossufo Momade poderão criar mais divisionismo, no lugar de reconciliação.

“Isso vai gerar uma desunião cada vez mais acesa dentro do próprio partido. A RENAMO vai perdendo membros para as outras forças políticas, e apenas vão dando a cara aqueles que estão na mesa do tacho”.

Ossufo Momade dirige a RENAMO desde 2018, quando foi eleito em congresso, para substituir Afonso Dhlakama, já falecido. O partido, que sempre foi primeira maior força da oposição, caiu para a segunda nas eleições gerais de 2024.

Manica: Ex-guerrilheiros da RENAMO defendem Momade

Sitoi Lutxeque Correspondente da DW África em Nampula
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