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Moçambique: Auditoria expõe discrepância nas contas de Total

29 de maio de 2026

Auditoria independente detetou diferença de 2 mil milhões de dólares nos custos indicados pela TotalEnergies após a suspensão, durante quase cinco anos, do megaprojeto de gás em Moçambique devido a ataques terroristas.

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Soldados à entrada de Afungi, em Cabo Delgado, destacados para proteger o projeto de exploração de gás de ataques terroristas
A petrolífera francesa prevê iniciar a entrega de GNL da primeira linha a instalar em Afungi no primeiro semestre de 2029Foto: Roberto Paquete/DW

O Governo moçambicano contratou a consultora britânica Bayphase para calcular o valor dos custos recuperáveis exigidos pela TotalEnergies, concessionária da Área 1 na Bacia do Rovuma.

Na auditoria que realizou, descobriu que os prejuízos foram de três milhões de dólares de prejuízos, ou seja, menos dois mil milhões de dólares do montante reivindicado pelo consórcio liderado petrolífera farncesa, disse fonte próxima do processo à "Carta de Moçambique".

Fontes ligadas ao processo também disseram à agência de notícias Lusa que há uma diferença de 2.000 milhões de dólares (1.720 milhões de euros) face à pretensão inicial da TotalEnergies.

No processo preliminar, a TotalEnergies apresentou despesas, atribuídas à paragem do projeto, ao alegar "força maior" pelos ataques em Cabo Delgado, em abril de 2021, de pouco mais de 5.000 milhões de dólares (4.295 milhões de euros). No entanto, apenas cerca de 60% estariam documentadas, totalizando à volta de 3.000 milhões de dólares (2.576 milhões de euros).

A petrolífera francesa aguarda ainda a aprovação pelo Governo moçambicano do plano de desenvolvimento apresentado pela Mozambique LNG para aquela área. Prevê iniciar a entrega de GNL da primeira linha a instalar em Afungi no primeiro semestre de 2029.

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Governo moçambicano confirma auditoria

"O Governo de Moçambique confirma que comissionou uma auditoria, como, aliás, é público. A mesma está já na fase final e lamentamos que não possamos, neste momento, nos pronunciar sobre a essência do trabalho que está a ser realizado. Iremos fazê-lo em momento oportuno", disse fonte do executivo moçambicano à Lusa.

Na sua página oficial, a consultora especializada britânica Bayphase refere ter sido contratada para analisar a recuperação de custos dos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bacia do Rovuma, nomeadamente "garantir que os custos associados às operações de produção estivessem em conformidade com os valores justos de mercado".

A auditoria devia também assegurar a "validação de todos os custos recuperáveis reivindicados para garantir que estivessem de acordo com as definições e procedimentos contábeis [contabilísticos] incluídos no contrato de concessão de produção de cada área", entre outros aspetos.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, e o líder da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, lançaram em 29 de janeiro, oficialmente, a retoma do megaprojeto de gás Mozambique LNG, quase cinco anos após a suspensão devido aos ataques.

"A 'força maior' acabou", disse então Patrick Pouyanné, sublinhando tratar-se do maior investimento da TotalEnergies em África, acrescentando: "Como diz o Presidente [Chapo], 'vamos trabalhar'". Chapo e Pouyanné visitaram nesse dia a retoma da construção do complexo de produção de GNL em Afungi, distrito de Palma.