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CEO da TotalEnergies alerta para escassez energética

Redação DW África Lusa, Reuters, AP, AFP
25 de abril de 2026

Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, alerta que bloqueio no Estreito de Ormuz por mais 2–3 meses pode causar escassez energética em vários continentes.

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Posto da TotalEnergies na Alemanha, numa foto de março de 2022
Devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, parte do petróleo do Golfo Pérsico está a ser transportado através de oleodutos existentes, mas estes são insuficientesFoto: Sebastian Gabsch/Future Image/IMAGO

Patrick Pouyanné, CEO da petrolífera francesa TotalEnergies, alerta que, se o bloqueio no estreito de Ormuz continuar por "mais dois ou três meses", a Europa sofrerá problemas de abastecimento semelhantes aos que já existem em alguns países asiáticos e africanos.

Em declarações transmitidas hoje pelo canal BFMTV, Pouyanné enfatiza: "Já absorvemos todo o excedente (das reservas). Se a situação continuar por mais dois ou três meses, entraremos numa era de escassez de energia como a que já foi vivenciada por alguns países asiáticos."

Estas declarações, um excerto do seu discurso numa conferência organizada desde sexta-feira em Chantilly pelo Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), insistem que, embora essa escassez ainda não se materialize, não se pode "permitir que 20% das reservas de petróleo e gás fiquem inacessíveis sem graves consequências".

O responsável fazia referência ao encerramento quase total do estreito de Ormuz pelo Irão em resposta à guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel, que, segundo o CEO da TotalEnergies, é a questão que tem de ser resolvida, e "rapidamente".

Para Pouyanné, dado que o petróleo do Golfo Pérsico, que é "muito barato", é indispensável, alternativas ao estreito de Ormuz têm ser encontradas para transportá-lo aos mercados consumidores.

"O facto de não haver saídas suficientes para o estreito de Ormuz é um grande problema", afirma, antes de defender a construção de "novos oleodutos" para contornar este bloqueio.

Devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, parte do petróleo do Golfo Pérsico está a ser transportado através de oleodutos existentes, mas estes são insuficientes.

A Arábia Saudita possui um oleoduto que transporta petróleo bruto de alguns dos seus poços até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, os Emirados Árabes Unidos também possuem um que contorna o estreito, e do Iraque, parte do petróleo é transportada por um oleoduto que vai de Kirkuk, no Curdistão, até o porto turco de Ceyhan, no Mediterrâneo.

O Irão e os Estados Unidos concordaram, em 8 de abril, com um cessar-fogo de duas semanas, que foi prorrogado pelo Presidente americano Donald Trump, e iniciaram um processo de negociações, mediado pelo Paquistão, para tentar chegar a um acordo para pôr fim ao conflito, que afetou toda a região do Médio Oriente.

Apesar da reabertura técnica dos aeroportos, muitas companhias internacionais mantêm suspensões ou restrições devido aos riscos de segurança e escassez de combustível na Europa.

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