Moçambique: Ex-deputado da RENAMO começa a ser julgado a 10 de julho | Moçambique | DW | 06.07.2020
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Moçambique

Moçambique: Ex-deputado da RENAMO começa a ser julgado a 10 de julho

Sandura Ambrósio vai a tribunal por alegado apoio financeiro à Junta Militar da RENAMO, liderada por Mariano Nhongo. O ex-deputado está detido desde janeiro.

Já há data para o início do julgamento do antigo deputado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), acusado de alegado apoio financeiro à Junta Militar, dissidência do braço armado do principal partido da oposição. Sandura Ambrósio vai começar a ser julgado a 10 de julho no Tribunal Judicial de Dondo, centro de Moçambique.

José Capassura, advogado do antigo deputado, disse esta segunda-feira (06.07) à agência de notícias Lusa que o Ministério Público moçambicano acusa o seu cliente do crime de conspiração, que se pode traduzir numa pena de prisão entre oito e dez anos, acrescentou.

"O início do julgamento será uma oportunidade para provarmos que Sandura Ambrósio não tem rigorosamente nada a ver com o crime que lhe é imputado", afirmou o advogado.

 RENAMO Guerillakämpfer in Gorongosa, Mosambik

Mariano Nhongo, líder da Junta Militar da RENAMO

Aguardar julgamento encarcerado

Capassura criticou o facto de a justiça ter recusado todos os requerimentos para que o antigo deputado aguardasse o julgamento em liberdade. "Os argumentos usados para o indeferimento dos pedidos de liberdade provisória nunca foram convincentes", referiu o advogado.

Sandura Ambrósio está detido desde 14 de janeiro por indícios de envolvimento no apoio a guerrilheiros dissidentes da RENAMO, acusados pelas autoridades de ataques armados. A detenção teve por base dados recolhidos no âmbito de uma investigação do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).

Na altura, o chefe do SERNIC da província de Sofala, Mário Tamele, afirmou que se tratava de um "crime de conspiração" que incluía "atos preparatórios e recrutamento".

Audições em Tribunal

No âmbito do processo que levou à detenção de Sandura Ambrósio, o Ministério Público moçambicano ouviu vários quadros da RENAMO, incluindo a antiga chefe da bancada parlamentar do partido, Ivone Soares, o ex-secretário geral da organização, Manuel Bissopo, e o atual porta-voz do partido, José Manteigas, por suspeitas de envolvimento no apoio à Junta Militar de Mariano Nhongo.

Assistir ao vídeo 02:52

Moçambique: Desmobilizados da RENAMO vivem com medo

Também foram ouvidos Elias Dhlakama, irmão do falecido presidente da RENAMO, Afonso Dhlakama, e o ex-porta-voz do partido e atual deputado, António Muchanga. Não são conhecidos desenvolvimentos no âmbito das referidas audições.

O que quer Mariano Nhongo?

A autoproclamada Junta Militar da RENAMO é liderada por Mariano Nhongo, ex-dirigente da guerrilha, e é acusada de protagonizar ataques visando forças de segurança e civis em aldeias e nalguns troços de estrada da região centro, tendo causado, pelo menos, 24 mortos.

Entre várias revindicações, Nhongo exige a demissão do atual presidente da RENAMO, Ossufo Momade, acusando-o de ter desviado as negociações de paz dos ideais do seu antecessor, Afonso Dhlakama, líder histórico do partido que morreu em maio de 2018.

Os ataques da Junta não cessam, numa altura em que está em curso o processo de desmilitarização, desarmamento e reintegração (DDR) da guerrilha da RENAMO, que envolve cerca de cinco mil membros do braço armado do maior partido da oposição.

Desde 4 de junho, foram abrangidos pelo DDR 38 ex-guerrilheiros em Savane, 251 ex-guerrilheiros em Chibabava e outros 303 em Dondo, na província de Sofala, centro do país.

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