Moçambique: Combater o desemprego com gelados | NOTÍCIAS | DW | 02.05.2018

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NOTÍCIAS

Moçambique: Combater o desemprego com gelados

Ressano Garcia, localizada na fronteira com a África do Sul, vai ter um centro de formação e laboratório de produção de "gelatos" de estilo italiano. Objetivo é criar oportunidades de trabalho para jovens desfavorecidos.

Uma organização social da pequena vila moçambicana Ressano Garcia vai monitorizar a criação de um centro de formação e laboratório de produção de gelato. Num país que tem um dos mais baixos produtos internos brutos (PIB) do mundo e altas taxas de desemprego jovem, o projeto quer ajudar jovens a terem emprego.

Três cidadãos de Moçambique viajaram até à cidade de Bolonha, no norte de Itália, para um curso intensivo na "Universidade de Gelato", da marca Carpigiani. José Maria é um deles. Nasceu em Maputo e tem 21 anos. A mãe, portadora de deficiência, morreu no dia em que ele fez 11 anos.

Descreve que a formação é "incrível" e deu-lhe a conhecer algo novo. "Não cresci a comer gelados. Era algo que vendiam na cadeia KFC [Kentucky Fried Chicken] e não era qualquer pessoa que podia ir lá", recorda.

Este estilo particular de gelado, o gelato italiano, tem vindo a ganhar popularidade por todo o mundo nos últimos anos. Além de ser mais cremoso e menos gordo que outros gelados, é mais saboroso e saudável.

Flash-Galerie Gelato Universität Abschlussfeier

Estudantes da "Universidade do Gelato", em Bolonha

A missionária Carla espera que este produto seja bem recebido pela comunidade. "Espero que seja um sucesso! É o nosso grande desejo: que o gelato se torne conhecido, saboreado e vendido", conta a missionária.

Quando voltar a Moçambique, Carla vai ensinar cinco órfãos e quatro jovens mães a fazerem gelato. Em Moçambique, cursos de formação profissional normalmente não estão acessíveis para os mais pobres.

Além do laboratório de produção e centro de formação, terão também uma pequena carrinha adaptada especialmente para o transporte de gelado.

Oportunidades de negócio

Os resorts moçambicanos junto à costa são muito populares entre turistas sul-africanos. Há filas constantes de carros que esperam para poderem passar a fronteira e vendedores ambulantes que vendem bebidas aos ocupantes dos veículos.

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Moçambique: Combater o desemprego com gelados

No pico do calor, Carla acha que o gelato seria uma boa opção para oferecer aos turistas e uma forma de expandir o negócio. "Vamos ter um carrinho pequeno para vender no local, na fronteira, vamos de empregar outros jovens vendedores ambulantes".

Quando deixou a escola, José Maria fazia biscates como mecânico. Arranjava camiões à beira da estrada. Quando voltar a Moçambique, será o responsável pelo equipamento. Agora, sente o que tem um futuro mais risonho, graças a esta "grande oportunidade". "É um sonho poder trabalhar com outros equipamentos mecânicos que não são carros. É um sonho que se tornou realidade", conta.

Além de fazer gelato, José Maria começou também a estudar engenharia do ambiente na universidade. Espera pode usar o conhecimento que tem adquirido para tornar o negócio do gelato mais produtivo e sustentável.

O moçambicano acredita no sucesso da iniciativa e quer que a passagem de conhecimentos seja um ciclo: as pessoas fazem formação, começam a trabalhar e depois dão formação aos outros. Está confiante no sucesso do gelato no seu país.

"Eu acho que no futuro as pessoas vão poder abrir os seus próprios negócios. Será uma forma do meu país desenvolver um novo mercado. O termo gelato vai ficar famoso", espera o jovem.

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