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Diálogo Nacional: Qual o contributo das religiões?

7 de novembro de 2025

Movimento Moçambique Mudei, religioso, foi hoje chamado a envolver-se no Diálogo Nacional Inclusivo. O líder do COTE, Edson Macuácua, disse: "O que esperamos é que o movimento se aproprie do Diálogo Nacional Inclusivo".

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Foto simbólica Islão, Cristianismo e Judaismo
Foto: Arnulf Hettrich/imageBROKER/picture alliance

Realizou-se esta sexta-feira (07.11) em Maputo uma mesa redonda com o Movimento Moçambique Primeiro, de natureza religiosa, para apresentar o COTE (Comissão Técnica para o Diálogo Nacional e Inclusivo) e solicitar o envolvimento do grupo.

O movimento, que tem por objetivo A promoção da cultura paz, disse: "Estamos a ser desafiados porque os valores morais tendem a degradar-se [...], mas temos esperança [de mudar isso]".

Os religiosos lembram que "não há confito que não tenha solução", e afirmam que apostam na escuta e reflexão como meios de se ultrapassar divergências. 

O COTE surge no contexto da inédita e violenta crise pós-eleitoral em Moçambique, desencadeada pela fraude eleitoral que terá garantido vitória a FRELIMO, partido no poder há 50 anos. 

Edson Macuácua, presidente do COTE e membro sénior da FRELIMO, considerou o encontro com o Movimento Moçambique Primeiro como um "momento exaltante" que vai permitir aos religiosos uma melhor comprensão sobre o diálogo inclusivo e como este pode se enquadrar e participar dele". 

A expetativa do COTE "não é a penas que o Movimento Moçambique Primeiro participe do diálogo, é mais do que isso. O que esperamos é que o Movimento se aproprie do Diálogo Nacional Inclusivo", disse Macuácua.

Sobre o diálogo, o presidente do COTE sublinha: "Este diálogo em si não é o ponto final. A ideia é que não estamos a reunir para dialogar apenas, o diálogo é um meio, um caminho. O que se pretende é a reconciliação da família moçambicana. É o reforço da coesão da família moçambicana, é o reforço da paz em Moçambique".

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O presidente do COTE fala ainda em resgaste dos valores da cultura, da família e éticos e para isso conta também com o Movimento, que considera parceiro estratégico: "É um espaço e momento soberanos em que todos nós temos a oportunidade de participar e contribuirmos para a nossa sociedade".

O COTE "tem um formato invador, diferente de todos os processo que Moçambique já teve nesses 50 anos de independência. Os anteriores tinham só dois atores, o Governo e a RENAMO, não entrava mais niguém", recorda. 

Macuácua lembra ainda que os outros setores participavam apenas dos corredores, mas da mesa de negociações eram só dois atores, hoje "é uma mesa onde todos são chamados".

O político sublinha também a ausência de exclusão ou discriminação no novo modelo de diálogo e destaca que "pela primeira vez neste diálogo foi criada uma plataforma técnica para debater e também está representada a sociedade civil".

Neste Diálogo Nacional e Inclusivo o debate está categorizado em dez grupos, segundo Macuácua: Assuntos da Constituição da República, sistema eleitoral, assuntos fiscais, economia, recursos naturais, defesa e segurança, segurança interna, administração e despartidarização do Estado, assuntos eleitorais e unidade nacional e reconciliação nacional.

O presidente do COTE espera que nunca mais "ninguém perca a vida por causa das eleições" e questiona: "O que temos de mudar?". Macuácua gostaria, por exemplo, que "aquele que perde as eleições logo reconhecesse a derrota".  Gostaria ainda que "a justiça seja assegurada" e que houvesse "respeito pelos órgãos seja assegurado".

Embora o COTE sublinhe o fator inclusão, a peça chave para a paz e reconciliação não foi convidada a participar. Venâncio Mondlane, político e ex-candidato presidencial e mentor dos protestos, até solicitou a sua inclusão, mas o Presidente do país, Daniel Chapo, preferiu ignorá-lo. 

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Jornalista da DW Nádia Issufo
Nádia Issufo Jornalista da DW África
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