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Imagem de satélite mostra o ciclone Idai sobre Moçambique e países vizinhos (15 de março)Foto: NASA

Dez coisas que devia saber sobre ciclones

30 de abril de 2019

Após a passagem dos ciclones Idai e Kenneth em Moçambique, a DW África preparou uma lista de factos sobre estes fenómenos naturais e como eles ocorrem no mundo.

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O ciclone é um fenómeno natural que se forma nos oceanos e pode apresentar ventos de mais de 250 quilómetros por hora. Também é chamado de furacão ou tufão, de acordo com a região onde surge. Veja os 10 factos que reunimos sobre este tema:

1. Diferenças entre ciclone, furacão e tufão

Todos são subtipos de tempestades tropicais e aparentemente representam um mesmo fenómeno natural, caracterizado por fortes ondas de vento, em formato giratório ou circular, que são bastante destrutivas. Mas os ciclones formam-se na porção ocidental do Índico, enquanto os furacões formam-se no norte do Oceano Atlântico, no Mar das Caraíbas, no golfo do México e no Oceano Pacífico, próximo ao litoral da América do Norte. Os tufões também se formam no Pacífico, mas são mais comuns no Japão, no sul asiático e também na porção leste do Oceano Índico.

2. Como surgem os ciclones

São correntes de vento que se encontram no oceano, formam uma intensa massa de nuvens e podem assumir características de um ciclone. O fator principal na formação de um ciclone é a temperatura da água do mar. Por isso, as regiões mais são mais propícias à formação deste fenómeno.

Tornado in der Eifel
Imagem de um tornado no oeste da Alemanha (2019)Foto: picture-alliance/dpa/TeleNewsNetwork/Tinn

3. Diferenças entre ciclone e tornado

Tanto um quanto o outro são movimentos de ar giratórios. No entanto, o ciclone apresenta-se numa área muito maior que o tornado, envolvendo centenas de quilómetros, e com ventos que podem atingir velocidades superiores ou iguais a 120 km por hora. O tornado, por sua vez, apresenta-se numa área menor, mas os seus ventos podem superar os 500 km por hora. Por isso, o nível de destruição de um tornado pode ser bem maior que o do ciclone, porém os danos serão restritos a uma pequena área.

A olho nu, é impossível visualizar toda a extensão de um ciclone, que pode alcançar os 1.500 km de diâmetro. Isto só seria possível com imagens de satélite. O tornado é perfeitamente visível, podendo abranger até 2 km.

4. Porque os ciclones têm nome de homens e mulheres

Trata-se de uma convenção da meteorologia e tem como objetivo evitar confusões e facilitar os alertas. Este é um padrão utilizado desde 1953 pelo Centro Nacional de Furações dos Estados Unidos. Hoje em dia, a Organização Meteorológica Mundial, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), é a responsável pela lista que nomeia os ciclones. A cada ano, as listas de tempestades são organizadas em ordem alfabética, alternando nomes masculinos e femininos. Mas até 1970, apenas nomes femininos eram utilizados. As listas de nomes são reutilizadas a cada seis anos.

Satellitenbild Atlantik Hurricane Maria und Hurricane Jose
Furacão Maria (ao sul) e furacão José sobre o Oceano Atlântico (2017)Foto: NASA/NOAA

5. Porque os ciclones giram de forma diferente no hemisfério norte e sul

Isto tem a ver com a chamada Força de Coriolis, produzida pela rotação do planeta Terra. Quando grandes camadas de ar entram em movimento de rotação, origina-se um ciclone, que no hemisfério norte vai-se manifestar no sentido anti-horário, enquanto no hemisfério sul no sentido horário.

6. Qual foi o ciclone mais forte até hoje em Moçambique?

Apesar de ter feito menos vítimas que o ciclone Idai, o Kenneth foi o ciclone mais forte que chegou à costa moçambicana, segundo dados meteorológicos. O ciclone Idai atingiu a província de Sofala a 15 de março com ventos de até 180 km por hora, enquanto Kenneth teve ventos de até 210 km por hora. Na escala de intensidade, que vai até 5, o Idai atingiu a categoria 3 e o Kenneth a 4.

Esta é a primeira vez, em 50 anos, que Moçambique tem dois ciclones tão sérios num curto espaço de tempo. A única situação semelhante foi em 2000, quando houve grandes inundações no vale do rio Limpopo e dos rios Púngue e Búzi. Naquele ano havia dois ciclones, o Eline, de categoria 3, e o Hudah, de categoria 1.

Ciclone Kenneth: Estragos no norte de Moçambique

7. Aquecimento global

A comunidade científica e organizações não governamentais ligadas ao meio ambiente apontam o dedo ao aquecimento global para dizer que este fenómeno é cada vez mais frequente com o passar dos anos. E as previsões são de que os ciclones vão ser mais intensos. Em parte, isto ocorre porque estes fenómenos naturais ganham força no mar e, à medida que a temperatura dos oceanos aumenta com o aquecimento global, os ciclones podem absorver mais energia. A consequência disto é que a velocidade dos ventos será ainda maior. O que acontece naquela região da África Austral é que muitas tempestades tropicais se intensificam no Canal de Moçambique.

8.  O período do ano 

Os ciclones costumam acontecer em determinados períodos do ano, dependendo da região. Na porção ocidental do índico, que banha parta da África Austral, o período mais frequente é entre os meses de novembro e abril. As tempestades ganham força com o calor no mar e desaceleram ao atingir a costa do continente.

9. A estrutura de um ciclone

A estrutura física de um ciclone engloba três elementos: olho, localizado na zona central, que varia entre 30 e 70 quilómetros, e onde o vento é mais fraco; parede do olho, que é a região em torno do olho e onde há ventos mais intensos; e bandas de precipitação, região em torno da parede do olho e de onde se originam fortes chuvas e trovoadas ao longo de centenas de quilómetros a partir do centro.

10. As categorias de um ciclone

São cinco e variam de acordo com a velocidade do vento:

·      Ciclone de categoria 5  igual ou superior a 250 km/h

·      Ciclone de categoria 4 210-249 km/h

·      Ciclone de categoria 3 178-209 km/h

·      Ciclone de categoria 2 154-177 km/h

·      Ciclone de categoria 1 119-153 km/h

Thiago Melo Jornalista da DW África em Bona
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