Cabo Verde vai às urnas para decidir próximo Governo
17 de maio de 2026
Os cabo-verdianos votam este domingo para eleger os 72 deputados da Assembleia Nacional, num escrutínio que definirá quem governará o país nos próximos cinco anos.
O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, manifestou esperança numa redução da abstenção, lembrando que as últimas legislativas, realizadas em 2021, decorreram em plena pandemia da Covid-19.
"Espero que, agora, num período de maior tranquilidade, sem o condicionamento da pandemia, as pessoas possam votar mais expressivamente", afirmou o chefe de Estado, após votar na Escola Universitária Católica de Cabo Verde, na cidade da Praia.
Também o líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Francisco Carvalho, apelou à participação massiva do eleitorado depois de exercer o seu direito de voto.
"Acabei de exercer o direito de voto e quero aproveitar este momento para agradecer todos os cabo-verdianos que estão a participar neste processo [...]. É fundamental votar hoje porque todos os cidadãos devem exercer o direito que têm de participar civicamente e escolher", disse.
Em Lisboa, eleitores cabo-verdianos dirigiram-se às mesas de voto sem registo de filas significativas durante a manhã.
O Movimento para a Democracia (MpD), liderado pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, procura alcançar um terceiro mandato consecutivo no poder, depois das vitórias obtidas em 2016 e 2021.
Já o PAICV tenta regressar ao Governo com Francisco Carvalho, atual presidente da Câmara Municipal da Praia, como candidato ao cargo de primeiro-ministro.
Primeiras eleições multipartidárias
Desde as primeiras eleições multipartidárias em Cabo Verde, em 1991, MpD e PAICV têm alternado no poder, sempre com maiorias absolutas parlamentares.
Para estas legislativas, MpD e PAICV foram os únicos partidos a apresentar candidaturas em todos os 13 círculos eleitorais, incluindo os três círculos da diáspora.
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), terceira força política do país, concorre em 10 círculos eleitorais e ambiciona quebrar a tradicional maioria absoluta dos dois principais partidos.
O Partido Popular (PP) e o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), sem representação parlamentar, concorrem, cada qual, em seis círculos.
Na sexta-feira, José Maria Neves tinha apelado à participação eleitoral, alertando que "a abstenção fragiliza a democracia".
Nas legislativas de 2016, a taxa de abstenção situou-se nos 34%, aumentando para 42% em 2021, num contexto marcado pelas restrições impostas pela pandemia.
As urnas no arquipélago abriram às 08:00 locais e encerram às 18:00, estando instaladas cerca de mil mesas de voto nas ilhas. Na diáspora, funcionam mais de 200 mesas, incluindo 84 em Portugal.
São chamados às urnas 344.284 inscritos no arquipélago e 72.051 no estrangeiro. O processo eleitoral está a ser acompanhado por cerca de 200 observadores internacionais.