3 coisas a saber sobre as eleições em Cabo Verde
15 de maio de 2026
As eleições legislativas de 17 de maio em Cabo Verde acontecem num momento em que temas como o custo de vida, o emprego, os transportes e a habitação dominam o debate político.
Mais de 400 mil eleitores, no país e na diáspora, serão chamados às urnas para escolher os 72 deputados da Assembleia Nacional e decidir quem irá formar o próximo Governo.
Quem disputa estas eleições?
Há cinco partidos na corrida eleitoral.
OMovimento para a Democracia (MpD), liderado pelo atual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, procura renovar o mandato no poder. Já o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), maior partido da oposição, apresenta-se às eleições sob liderança de Francisco Carvalho.
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), liderada por João Santos Luís, tenta afirmar-se como alternativa à tradicional bipolarização política no país. Entretanto, o Partido Popular (PP) concorre com Amândio Vicente na liderança. Por último, o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) apresenta Jónica Brito como cabeça de lista, apostando fortemente no eleitorado jovem.
O que prometem os partidos?
O MpD promete reforçar as políticas sociais e económicas, aumentar salários, criar empregos de qualidade e melhorar o sistema nacional de saúde.
O PAICV aposta na redução dos preços dos transportes marítimos e aéreos entre ilhas, gratuitidade no ensino e na saúde, combate à corrupção e a aposta na habitação social. O partido defende ainda a redução dos custos da governação.
A UCID é visto como o partido que pode quebrar a bipolarização no país. Centra o seu discurso na melhoria do rendimento das famílias e dos trabalhadores. Entre as propostas, destaca-se a implementação do salário mínimo de 25 mil escudos (226 euros) já em 2026, além da resolução dos problemas dos transportes e da promoção de políticas ativas de emprego.
Já o PP foca a justiça social, promete a redução das desigualdades e a garantia de igualdade de oportunidades, além de propor reformas profundas nos setores da habitação, saúde e segurança social, bem como o combate à corrupção.
O PTS procura mobilizar sobretudo os jovens eleitores, apresentando-se como a voz de quem se sente ignorado pela política tradicional. A habitação digna é uma das principais bandeiras do partido.
Há favoritos?
Diversos analistas políticos consideram que a disputa de domingo deverá ser equilibrada entre o MpD e o PAICV. O jurista João Santos entende que a sociedade cabo-verdiana continua dividida entre os dois maiores partidos, o que poderá dificultar o crescimento das formações menores.
Apesar do discurso de mudança defendido pela oposição, Santos considera que a verdadeira questão será saber se haverá alternativas concretas nas políticas públicas ou apenas alternância no poder. "Duvido que o PAICV no poder consiga fazer diferente daquilo que o MpD tem feito", comenta.
As eleições de domingo decidirão não só a composição da Assembleia Nacional, mas também o rumo político de Cabo Verde nos próximos anos, entre a continuidade e uma possível mudança