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Cabo Delgado: Seis mortos por alegados terroristas

16 de setembro de 2025

Seis camponeses - entre eles uma mulher grávida - foram brutalmente mortos à catana por supostos terroristas em Nova Família, Muidumbe, Cabo Delgado. As vítimas foram atacadas enquanto trabalhavam nos campos de tabaco.

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Moçambique Cena de rua na sede administrativa de Muteda
O ataque ocorreu nas margens do rio Messalo, a cerca de 80 quilómetros da sede distrital de MuidumbeFoto: DW

Seis trabalhadores rurais foram mortos no sábado (13.09) em suas plantações de tabaco às margens do rio Messalo, aproximadamente 80 quilômetros da sede do distrito de Muidumbe, Cabo Delgado.

As mortes ocorreram após eles serem surpreendidos por homens armados, suspeitos de fazer parte do grupo terrorista que atua na região.

"Foram mortas à catana", relatou uma das fontes em Muidumbe, acrescentando que entre as vítimas mortais conta-se uma grávida, que ajudava o marido na produção de tabaco naquele campo.

"Uma mulher jovem, estava grávida. É triste", lamentou a mesma fonte. Os corpos foram enterrados na segunda-feira (15.09) com o apoio de paramilitares da Força Local.

Os populares relatam que começaram a deixar aquelas comunidades, partindo para a sede de Muidumbe e Mueda. "Há abandono dos campos de produção", lamentou outra fonte.

Além de Nova Família, em Muidumbe, os residentes de Tadavala, no distrito vizinho de Macomia, estão a deixar essas localidades, receando novas incursões.

Moçambique: rasto de devastação em Cabo Delgado
População foge em Muidumbe e Macomia Foto: DW

Aumento da violência 

A província de Cabo Delgado - rica em gás e que sofre ataques desde 2017 - regista um recrudescimento de ataques de grupos rebeldes desde julho.

Já foram alvos os distritos de Chiúre, Muidumbe, Quissanga, Ancuabe, Meluco e mais recentemente Mocímboa da Praia, havendo, desde então, dezenas de milhares de deslocados.

 O Governo moçambicano lamentou os ataques terroristas registados nos últimos dias em Cabo Delgado, referindo que é papel do Estado perseguir, retardar e travar os ataques para que a população tenha "menos sofrimento possível".

Pelo menos 349 pessoas morreram em ataques no norte de Moçambique somente em 2024, sendo a maioria dos ataques reivindicada pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Esse número representa um aumento de 36% em relação ao ano anterior, conforme aponta um estudo divulgado pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), uma instituição acadêmica vinculada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

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