Cabo Delgado: Ataques em Mocímboa "assustam" setor bancário
12 de setembro de 2025
"A banca é que se assusta bastante com ações [terroristas] idênticas, pois a banca nunca vai investir na incerteza do retorno do seu capital. Então, nisso quem paga é a população", disse Sérgio Cipriano, citado hoje pela Rádio Moçambique.
Segundo o dirigente, os ataques poderão atrasar iniciativas ligadas a projetos de terra e mar, na vila, receando também que os agentes económicos não possam investir nas áreas existentes, com projetos de desenvolvimento.
"Os agentes económicos já não podem mais se fazer à vila para investir em diferentes áreas por conta mesmo desta ação dos terroristas e depois outras iniciativas para projetos de desenvolvimento ficam frustradas também por conta desta ação terrorista", referiu.
Pelo menos quatro pessoas foram mortas e uma viatura incendiada após supostos terroristas entrarem a disparar na vila sede de Mocímboa da Praia, disseram à Lusa, na segunda-feira, fontes locais.
Na altura, o administrador distrital confirmou as quatro mortes, referindo que já foi restabelecida a ordem naquela região, com as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas a perseguir os supostos terroristas que atacaram a vila.
Deslocações em massa
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que cerca de 2.924 pessoas tenham fugido de nova onda de ataques terroristas registados nos últimos dias nos distritos de Muidumbe e Mocímboa da Praia desde o final de agosto.
De acordo com um relatório daquela agência das Nações Unidas, consultado hoje pela Lusa, entre 25 de agosto e 09 de setembro, a escalada de ataques e o crescente medo de violência por parte dos Grupos Armados Não Estatais nos distritos de Muidumbe e Mocímboa da Praia levaram à deslocação de aproximadamente 2.924 pessoas (796 famílias).
"Este número inclui 2.158 pessoas (611 famílias) que fugiram de outras localidades dentro do distrito de Muidumbe entre 25 de agosto e 8 de setembro e 766 pessoas (185 famílias) que fugiram dentro e de Mocímboa da Praia para o distrito de Mueda entre 7 e 8 de setembro", lê-se no documento.
No relatório avança-se ainda que a OIM continua a monitorizar a dinâmica de deslocação em tempo real para informar o planeamento humanitário baseado em evidências e os esforços de resposta no norte de Moçambique.
No final de julho, ataques de grupos terroristas no sul da província de Cabo Delgado já tinham provocado mais de 57 mil deslocados no distrito de Chiúre.
A província de Cabo Delgado regista um recrudescimento de ataques de grupos rebeldes desde julho, tendo sido alvos os distritos de Chiúre, Muidumbe, Quissanga, Ancuabe, Meluco e mais recentemente Mocímboa da Praia.
Governo promete resposta
Na segunda-feira, a Lusa noticiou também que pelo menos seis pessoas foram mortas e campos agrícolas saqueados durante um ataque de supostos terroristas, no distrito de Muidumbe, em 06 de setembro.
O Governo moçambicano lamentou na terça-feira os ataques terroristas registados nos últimos dias em Cabo Delgado, norte de Moçambique, referindo que é papel do Estado perseguir, retardar e travar os ataques para que a população tenha o "menos sofrimento possível".
Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques, no norte de Moçambique, a maioria reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico, um aumento de 36% face ao ano anterior, segundo um estudo divulgado pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), uma instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano.