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Uganda: Taxa das redes sociais limita acesso à Internet

Simone Schlindwein | rvp
25 de julho de 2019

Uganda introduziu há um ano uma taxa para quem usa as redes sociais. Na altura, a taxa gerou uma onda de críticas, de opositores e de grupos de direitos humanos. Um ano depois, as críticas aumentam de tom.

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Foto: DW/S. Schlindwein

Abdulhakim Kawenja é taxista e costuma falar com os seus clientes através do serviço de mensagens WhatsApp e na plataforma de transportes Uber. Mas desde que o Governo do Uganda introduziu a chamada "taxa das redes sociais", há um ano, é mais difícil fazer negócio.

"Se pagares 1.000 xelins por dia [cerca de 25 cêntimos de euro] por 50 megabytes de Internet e depois tiveres de pagar um imposto extra de 200 xelins [5 cêntimos], é um grande desafio. Prefiro usar VPN's para evitar as restrições nas redes sociais ugandesas", explica Kawenja.

Com VPN's, os utilizadores de Internet conseguem esconder o local de onde estão a navegar. Muitas pessoas têm usado esta ferramenta para contornar a taxa das redes sociais.

Uganda Protest gegen Social Media Steuer
Os protestos contra a taxa das redes sociais em 2018Foto: DW/L. Emmanuel

Críticas

A ideia da taxa partiu do próprio Presidente Yoweri Museveni, que se queixou no ano passado que os jovens passavam demasiado tempo na Internet, nas redes sociais, a espalhar informações falsas.

As críticas não tardaram. Opositores e ativistas foram para as ruas protestar contra a taxa - a polícia reprimiu as manifestações com gás lacrimogéneo e balas de borracha. A taxa das redes sociais restringe a liberdade de expressão, afirma o advogado de direitos humanos Eron Kiiza.

"Legalmente, não é proibido espalhar rumores, se não forem difamação. Não há nenhuma lei nacional ou internacional que proíba a divulgação de rumores", refere Kiiza.

Uganda: Taxa das redes sociais limita acesso à Internet

Outros interesses

O advogado está neste momento a promover uma ação legal contra a taxa, subscrita por jornalistas e grupos de ativistas, que espera que entre em breve no Tribunal Constitucional do Uganda. No país, já houve restrições à Internet no passado, durante protestos e eleições. Mas o Governo nega que haja uma relação entre a taxa e os apagões de Internet.

Vincent Semura, um especialista fiscal, diz que um dos objetivos da taxa era obter mais receitas: "Uma das razões pelas quais este imposto foi introduzido é que vemos cada vez mais pessoas a usar os dados da Internet para comunicarem entre si, e, por isso, as companhias telefónicas estavam a perder receitas, assim como o Governo", aponta Semura.

Mas a taxa das redes sociais só conseguiu gerar 17 % dos lucros esperados e há menos 30% de utilizadores de Internet. Isto mostra claramente que a taxa não beneficiou nem os utilizadores, nem o Estado.

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