Moçambique: ″Fuga″ de insurgentes para Niassa faz aumentar deslocamentos na província | Moçambique | DW | 07.01.2022

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Moçambique

Moçambique: "Fuga" de insurgentes para Niassa faz aumentar deslocamentos na província

Extremismo no Niassa origina deslocamentos para áreas mais seguras. A guia de marcha foi resgatada para descartar a infiltração de insurgentes. Mas há denúncias de raptos de comerciantes e líderes religiosos suspeitos.

Deslocados moçambicanos que fugiram à insurgência em Cabo Delgado

Deslocados de Palma, Cabo Delgado, acomodados em Niassa (foto de arquivo)

A província do Niassa, norte de Moçambique, está a braços com os deslocamentos internos por causa da insurgência que chegou ao distrito de Mecula, que faz fronteira com a província de Cabo Delgado. A capital provincial, Lichinga, é um lugar preferencial.

Mas um jornalista que pede para não ser identificado conta que há outros destinos: "Estão a deslocar-se para os distritos de Sanga, Mecanhelas e muito mais para o distrito de Marrupa, vizinho de Mecula, e outros estão a deslocar-se para a vizinha Tanzânia, que faz fronteira com o distrito de Mecula".

É garantido apoio e são descartadas as desconfianças em relação aos deslocados devidamente documentados, uma condição que pode ser equiparada a um "milagre" em situação de conflito. Para tal, um documento da época da guerra civil dos 16 anos, altamente restritivo, foi resgatado - a guia de marcha.

"Os que foram deslocados para o distrito de Sanga foram acolhidos pelos secretários dos bairros e apresentados ao Governo. Vinham com uma guia [de marcha], tive a oportunidade de ver, assinada pelo secretário permanente e com o carimbo da Polícia da República de Moçambique", conta o jornalista.

Rua no distrito de Sanga, província do Niassa

Sanga é um dos distritos do Niassa que acolhe deslocados de Mecula (foto de arquivo)

Rapto de suspeitos

Embora durante a quadra festiva não se tenham registados ataques, o medo persiste. Em Mecula, onde há uma forte presença militar, há registo de desaparecimentos de agentes económicos e líderes religiosos que supostamente apoiavam os insurgentes.

"Esses eram facilitadores ou colaboradores fortes dos insurgentes. As pessoas notavam que eles se densenvolviam rapidamente no negócio, tinham mais dinheiro, mesmo o negócio sendo recente. Sempre levavam mercadorias a um determinado povoado, mas lá nem barraca e lojas havia, onde iam deixar a mercadoria? Então, são alvo de desconfianças. Do outro lado está o Governo, as nossas forças é que estão a [raptar], os desconfiados estão a ser capturados", desconfia o jornalista.

Mecula é um distrito com uma forte presença muçulmana, um fator bastante aproveitado e manipulado pelos insurgentes. Uma vez acuados em Cabo Delgado, seu objeto principal de ataques, Mecula passou a ser um alvo.

Alastramento ou recuo?

Porém, a especialista em prevenção de extremismo violento Egna Sidumo entende que se trata de uma fuga e não de um alastramento da insurgência, como se tem avaliado.

Analista moçambicana Egna Sidumo

Egna Sidumo, especialista em prevenção de extremismo violento

"É uma forma de fugir à pressão do conflito em Cabo Delgado e não necessariamente de querer implantar novas áreas de influência. Este não é um alastramento pensado, é justamente porque há um maior número de tropas em Cabo Delgado. Para mim, há uma relação direta: se as tropas não conseguirem se manter em Cabo Delgado nos próximos meses, a situação pode piorar", argumenta.

Esta visão é partilhada pelo especialista em resolução de conflitos e políticas públicas, Rufino Sitoe, que entende que não se trata de uma "expansão", mas de uma "retirada" do grupo.

"É uma resposta natural ao que têm estado a sofrer, então, é previsível e também preocupante no sentido em que o grupo agora esteja a cobrir mais regiões; é ainda mais preocupante para o Estado moçambicano. Dá a impressão para o discurso do grupo e para a moral que têm capacidade de expandir para outras regiões."

Desde novembro, o Niassa, considerada a província esquecida do país e muito vasta, é alvo de ataques que já causaram mortos, feridos, raptos e destruição. Há relatos da presença de forças ruandesas no terreno, embora o Governo nunca tenha mencionado o seu desdobramento para a região.

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