Covid-19: África do Sul quer começar a produzir vacinas mRNA | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 14.12.2021

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Internacional

Covid-19: África do Sul quer começar a produzir vacinas mRNA

A África do Sul está a trabalhar no desenvolvimento das suas próprias vacinas que utilizam a tecnologia mRNA. É a primeira iniciativa do género no continente africano.

À primeira vista, é um edifício como todos os outros numa área industrial da Cidade do Cabo. Mas é aqui que fica a base do único pólo tecnológico de vacinas em África. É uma estreia para o continente, que está agora a trabalhar nas suas próprias vacinas mRNA.

As vacinas criadas seriam as mais resistentes até agora. Devido às falhas constantes de energia em muitos países africanos, é preciso criar uma vacina mRNA que não tenha de estar constantemente no congelador a temperaturas extremamente baixas.

Com o escasso fornecimento de vacinas no continente, a Organização Mundial de Saúde e a iniciativa COVAX incentivaram o desenvolvimento de uma plataforma local de partilha de tecnologia.

Esta aposta "é um dos legados positivos da Covid-19", comenta Pietro Terreblanche, diretor-geral da Afrigen Biologics. "Agora temos este financiamento massivo disponível na África do Sul e em África".

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Afrigen quer desenvolver "a sua própria vacina"

A Afrigen é a empresa encarregada de desenvolver e produzir vacinas mRNA. É uma tecnologia relativamente nova, mas muito eficaz. Até agora, apenas duas empresas comercializam este tipo de vacinas, a Biontech e a Moderna. A Afrigen estava interessada em colaborar com a Moderna, mas isso não aconteceu.

"Por isso, a equipa juntou-se aos parceiros na universidade, e usámos toda a base de conhecimentos na África do Sul para desenvolver a nossa própria vacina."

Um desses parceiros é a Unidade de Pesquisa de Terapia Genética Antiviral da Universidade do Witwatersrand, em Joanesburgo.

Patrick Arbuthnot, diretor da unidade, diz que "foi possível recolher informação do domínio público para perceber como a vacina de mRNA da Moderna é produzida".

O cientista garante: "Já conseguimos reproduzir a sequência, com o propósito de a usar como referência, em vez de a usar como produto. Queremos desenvolver as nossas próprias ideias."

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Poucas vacinas, mais variantes

A equipa tem também o desafio de desenvolver uma vacina que seja eficaz contra a nova variante, Ómicron.

"O que queremos fazer é ter algo pronto para testar em ratos, dentro de alguns meses", afirma o professor Abdullah Ely, da Unidade de Pesquisa em Terapia Genética Antiviral.

Ely analisa as sequências de casos Ómicron que outros laboratórios descobriram. "Assim que tivermos um candidato que funcione bem, poderemos levá-lo à Afrigen para que possa ser produzido em maior escala."

Todo este processo inclui estudos clínicos e pode demorar vários anos.

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Na Cidade do Cabo, Pietro Terreblanche ainda tem esperanças que a Moderna se junte à Afrigen, pois isto iria acelerar o processo de desenvolvimento da vacina.

A Moderna anunciou que dispensaria das patentes durante a pandemia. No entanto, após a pandemia não será possível qualquer comercialização sem a sua aprovação.

Primeiro passo na indústria das vacinas africanas

Terreblanche expressa a sua vontade em obter uma "licença voluntária".

Dessa forma, "seria possível transferir esta tecnologia a outros países de médios e baixos rendimentos".

O diretor-geral da Afrigen Biogenics sublinha que esta é uma questão que vai além da Covid-19, estes esforços fazem parte de "usar a plataforma para outras vacinas, contra o HIV, a tuberculose, o Ébola e a gripe. É parte da estratégia africana de produzir 60% das suas próprias vacinas até 2040. É parte de construir uma indústria", termina.

A Afrigen e os seus parceiros gostariam de introduzir no mercado os primeiros produtos "feitos em África" daqui a três anos.

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