Cabo Delgado: Casos de cólera aumentam com fuga aos ataques armados | Moçambique | DW | 21.04.2020

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Moçambique

Cabo Delgado: Casos de cólera aumentam com fuga aos ataques armados

Aumenta o número de distritos assolados pela cólera em Cabo Delgado, norte de Moçambique. Casos chegam a Pemba trazidos pelos deslocados dos distritos que estão a ser atacados por insurgentes.

ONG Médicos Sem Fronteiras apoia o Governo no combate à doença

ONG Médicos Sem Fronteiras apoia o Governo no combate à doença

Além de Macomia, Ilha do Ibo, Quissanga e Mocímboa da Praia, agora também a cidade de Pemba tem casos de cólera. Já há mais de 100 pessoas com cólera, sobretudo em Paquitequete e Natite, os destinos preferenciais das famílias que fogem dos ataques armados na regiões norte e centro de Cabo Delgado.

"Por causa da ação dos malfeitores, estamos a verificar que há um movimento de pessoas que saem de algumas zonas afetadas pela cólera e se fazem à cidade de Pemba, sobretudo”, confirma Armindo Ngunga, secretário de Estado na província. "Quando chegam aqui, trazem o vibreão colérico. Temos cólera aqui em Pemba".

Reforço do combate e prevenção

Já foi reaberto o Centro de Tratamento de Doenças Diarreicas para atender os doentes e estão em curso medidas adicionais como a sensibilização das comunidades, com o objetivo de minimizar o impacto da doença.

Estão também a ser distribuídos purificadores de água nos bairros da capital provincial de Cabo Delgado. No entanto, é preciso fazer mais, dizem as autoridades, que apelam ao respeito rigoroso das medidas de higiene e saneamento do meio.

"O nosso apelo é o de sempre: a cólera, tal como ela é conhecida, é a doença das mãos sujas. Todo o cuidado é pouco, vamos manter a higiene individual e coletiva para que a cólera seja estancada o mais cedo possível”, sublinha Armingo Ngunga.

Por causa do alastramento da doença, a vacinação contra a cólera que deveria abranger os distritos de Mocímboa da Praia, ilha do Ibo, Quissanga e Macomia vai estender-se também a Pemba, especificamente nos bairros até agora assolados pelo surto, afirma o secretário de Estado: "Antes do dia 25 [de abril], vamos vacinar as pessoas naqueles três distritos previstos inicialmente e vamos ver se teremos condições para poder vacinar as pessoas naqueles bairros da cidade de Pemba”.

"No passado, foram vacinadas pessoas em Pemba e conseguimos controlar a situação até agora, até à chegada das pessoas deslocadas. De facto, são pessoas dos distritos que tinham sido mapeados para a vacinação”, explica Armindo Ngunga.

ONG apoiam Governo

Desde janeiro, a província de Cabo Delgado já registou 610 casos relacionados com a cólera e 12 óbitos, segundo os números das autoridades sanitárias.

Uma das organizações não-governamentais que apoia o Governo no combate à doença é a Médicos Sem Fronteiras (MSF). Além de estar diretamente envolvida no tratamento de doentes internados no Centro de Tratamento de Doenças Diarreicas, a MSF está também a oferecer água tratada aos residentes dos bairros afetados em Pemba. A DW África procurou obter mais detalhes acerca dessas operações, mas a MSF não quis pronunciar-se para já - prometeu prestar declarações mais tarde.

A onda de deslocados conheceu o seu ápice em meados de março, quando os grupos que atacam as regiões mais a norte e no centro da província intensificaram as suas ações invadindo e ocupando temporariamente as sedes distritais de Mocímboa da Praia, Quissanga e Muidumbe. Desde então, todos os dias chegam a Pemba centenas de famílias à procura de refúgio.

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