África do Sul: Oposição diz que é preciso punir corrupção em concursos públicos | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 25.08.2020

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Internacional

África do Sul: Oposição diz que é preciso punir corrupção em concursos públicos

Oposição sul-africana defende que Presidente Cyril Ramaphosa deve tomar medidas concretas contra envolvidos em corrupção na atribuição de concursos para o fornecimento de equipamento e serviços contra a Covid-19.

Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa

Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa

A oposição sul-africana diz que só palavras não chegam – é preciso investigar e punir os implicados em atos de corrupção na atribuição de concursos públicos para o fornecimento de equipamento de proteção pessoal contra a Covid-19.

Em reação a uma carta aberta de Cyril Ramaphosa, divulgada no domingo (23.08), em que o Presidente apela aos militantes do partido no poder, o ANC, para se absterem da corrupção, o líder do Movimento Democrático Unido (UDM), Bantu Holomisa, questiona: "Penso que está a reforçar o que o Congresso já identificou. Quando vai agir? Esta é a questão."

Até agora, não se sabe o que aconteceu aos 26 mil milhões de dólares para o alívio da economia sul-africana, disponibilizados pelo Governo em resposta à crise criada pela pandemia do novo coronavírus.

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Para os opositores, mais do que condenar a corrupção, é preciso encontrar os responsáveis e tomar medidas concretas contra o aumento dos preços, o fornecimento de produtos e serviços de baixa qualidade e a atribuição de concursos públicos a pessoas ligadas ao Governo e ao partido no poder.

"O Presidente Cyril Ramaphosa enviou uma carta de sete páginas a toda a estrutura do ANC que em nenhuma ocasião mencionou uma investigação independente, urgente e eficaz ou até uma condenação de um membro do Governo ou do partido", referiu o líder interino da Aliança Democrática, John Steenhuisen.

Fazer dinheiro com a Covid-19

Segundo organizações de combate à corrupção na África do Sul, somente na província de Gauteng, que engloba as cidades de Pretória e de Joanesburgo, estão a ser investigadas 91 empresas que ganharam o concurso público para fornecer material e serviços de prevenção à Covid-19 pelo Ministério da Saúde.

Hélio Guiliche, académico e analista político moçambicano, lamenta o aproveitamento da pandemia: "A Covid-19 atingiu números alarmantes e isto fez com que o país se virasse de cabeça para baixo e que a classe empresarial tentasse apoiar cada vez mais, e houve necessariamente quem viu esta pandemia como uma oportunidade para fazer dinheiro."

Presidente corrupto?

Entre as pessoas que estão a ser investigadas por corrupção consta a porta-voz do Presidente, Khusela Diko, que viu o seu esposo a ser agraciado com um concurso público de cerca de 7 mil milhões de dólares para o fornecimento de material de proteção.

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Segundo Muhamad Yassine, académico e analista político moçambicano, "não é a primeira vez que o Presidente tem dificuldades em abordar as questões de corrupção. Parte-se do princípio que o Presidente também tira proveito dos vários atos de corrupção na África do Sul. É preciso não esquecer que ele é uma das pessoas mais ricas do país."

Andile Ramaphosa, filho do Chefe de Estado sul-africano, também é acusado de corrupção no âmbito da luta contra a Covid-19.

Dissolver o ANC?

"É preciso dizer que o nepotismo na África do Sul não começa só com quem está agora no poder. Vimos sinais claros de nepotismo na altura do Presidente Jacob Zuma e seus filhos, daí ser difícil sancionar quem hoje assim o faz", destaca ainda Yassine.

Ronald Sibayoni, ativista social sul-africano, defende mudanças profundas no país.

"Para que uma mudança ocorra, todo o ANC deve ser dissolvido e deve ser criado um novo partido. Agora são um grupo de ladrões que se alternam de geração para geração e vivem do saque. O movimento mudou e já não é o mesmo que advogava pelas aspirações e liberdade do povo. Agora é cada um por si", diz Sibayoni.

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