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PolíticaRepública Democrática do Congo

Ministros comprometem-se a acabar com insegurança na RDC

Okeri Ngutjinazo | Glory Mushinge
13 de janeiro de 2026

Ministros da Defesa regionais reuniram-se em Livingstone para discutir o agravamento da situação no leste da República Democrática do Congo. Apesar do otimismo, não há sinais de que combates estejam prestes a terminar.

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Milícias Wazalendo entregam armas aos rebeldes do M23 em Uvira, na República Democrática do Congo
Milícias Wazalendo entregam armas aos rebeldes do M23 em UviraFoto: Daniel Buuma/Getty Images

A Zâmbia encerrou uma reunião de emergência de três dias convocada pela Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos em Livingstone, para lidar com o conflito crescente no leste da República Democrática do Congo (RDC).

Para o encontro deste fim-de-semana foram convidados 12 ministros da defesa e chefes militares dos Estados-membros da ICGLR, incluindo Angola, Burundi, República Centro-Africana, Congo-Brazzaville, RDC, Quénia, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

As potências regionais parecem cada vez mais determinadas a reativar a pressão diplomática depois de o M23, apoiado pelo Ruanda, ter capturado brevemente a cidade estratégica de Uvira, em Kivu do Sul, menos de uma semana após um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos a 4 de dezembro, antes de abandoná-la dias depois, após pressão dos EUA.

O governo congolês também acusou o Ruanda de ser responsável pela morte de mais de 1.500 civis desde o início de dezembro, com a RDC a classificar os ataques como "um claro ato de agressão" e uma "violação grave e repetida do direito internacional".

Esperança na ação coletiva

Mutale Nalumango, vice-presidente da Zâmbia, exortou os ministros da Defesa a encontrarem uma solução que tem escapado a várias gerações. "O sofrimento dos civis no leste da RDC não se limita a uma nação, mas afeta a estabilidade de toda a região dos Grandes Lagos e além, exigindo, portanto, uma ação urgente e coletiva", lembrou.

O ministro congolês da Defesa, Guy Kabombo Muadiamvita, disse que a reunião demonstrou um "compromisso comum para reforçar a resposta regional aos desafios humanitários e de segurança" e promoveu a "implementação dos compromissos assumidos nos acordos de Washington e Doha."

À lupa: E agora, o que se segue ao acordo RDC-Ruanda?

Apesar de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter elogiado o acordo de dezembro como um "milagre", ambas as partes acusaram-se mutuamente de o comprometer, levantando dúvidas sobre a sua viabilidade.

Acordo de Washington vacila com o avanço de Angola

O analista Phil Clarke, da Universidade de Londres, disse à DW que Angola emergiu como o único ator em que tanto Kigali como Kinshasa confiam, posicionando-se como um potencial mediador principal.

Clarke considera o acordo de Washington efetivamente extinto e diz que Angola pode oferecer a melhor oportunidade para uma paz duradoura na região: "Se vamos assistir a um processo de paz que se mantenha no leste do Congo ao longo do próximo ano, Angola será um interveniente fundamental."

Angola, que atualmente preside à União Africana (UA), apresentou recentemente ao Presidente Félix Tshisekedi novas propostas para pôr fim ao conflito. Ideias que o líder congolês descreveu como "muito interessantes" durante uma breve reunião em Luanda com o Presidente João Lourenço.

Conflito na RDC: Porque é que o Acordo de Adis Abeba falhou?

Fred Bauma, especialista do grupo de investigação EBUTELI, afirma que o contexto mudou. "Se Luanda se envolver realmente, será mais um novo começo ou uma continuidade dos processos anteriores. Agora, é preciso dizer que os outros dois processos ainda não foram completamente concluídos. Então, isso é uma continuidade desse processo? É uma abordagem totalmente nova? O Presidente congolês disse que não se trata de uma nova abordagem. E, portanto, penso que há mesmo necessidade de esclarecer tudo isto para permitir que as pessoas se posicionem em relação a todas as outras iniciativas", argumenta.

O analista político zambiano Musaba Chailunga disse à DW que os esforços de paz anteriores foram prejudicados porque alguns atores internacionais beneficiam da insegurança no leste da RDC. "Mas isso não significa que reuniões como esta não devam acontecer. O Congo está muito próximo da Zâmbia e é muito importante para a região e para todo o continente", concluiu.