RENAMO tem ″dever patriótico″ de conduzir dissidentes à paz | Moçambique | DW | 28.10.2020

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Moçambique

RENAMO tem "dever patriótico" de conduzir dissidentes à paz

Ministro do Interior moçambicano desafiou a RENAMO a fornecer todas as informações ao Governo sobre a autoproclamada Junta Militar, para pôr fim aos ataques no centro do país.

Soldados da RENAMO na Gorongosa, província central de Sofala

Soldados da RENAMO na Gorongosa, província central de Sofala

O Governo foi esta quarta-feira (28.10) ao Parlamento responder às questões colocadas pelas três bancadas parlamentares, com destaque para a situação de segurança no centro e norte do país e os esforços do Executivo para assegurar alimentos em quantidade e qualidade para os moçambicanos.

O ministro do Interior, Amade Miquidade, afirmou que a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) é responsável pelo falhanço na manutenção da pazno centro do país, palco de ataques levados a cabo pela autoproclamada Junta Militar.

"Considerando as armas, as munições, o uniforme, o habitat da junta e a sua umbilical ligação com a RENAMO, tem esta o dever patriótico e, no interesse da paz, de fornecer toda a informação relativa à junta, nomeadamente as bases, homens, localização e esconderijos", desafiou Miquidade.

"Não entregaremos a estratégia para o inimigo nos combater"

Esta quarta-feira, no Parlamento, a RENAMO questionou qual é a estratégia do Governo para resgatar a ordem e tranquilidade públicas em Cabo Delgado. "A estratégia não se partilha", respondeu o ministro do Interior, acrescentando: "não entregaremos a estratégia para o inimigo nos combater".

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Moçambique: Desmobilizados da RENAMO vivem com medo

Amade Miquidade admitiu, no entanto, a possibilidade de prestar alguns esclarecimentos em sede de uma comissão parlamentar especializada. "Os terroristas têm uma base principal que designam de 'Síria', onde vão incidindo as nossas operações. Vamos pondo fora de combate alguns dos seus líderes de nacionalidade estrangeira", adiantou.

Quanto à presença de forças de segurança privadas no terreno contratadas pelas forças governamentais, o ministro do Interior disse que os novos projetos petrolíferos em Cabo Delgado têm uma dinâmica securitária específica e a continuidade destes investimentos exige uma segurança especializada em meios que Moçambique não tem.

Por outro lado, o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário denunciou no Parlamento ações de "desinformação e propaganda" levadas a cabo pelos insurgentes em Cabo Delgado, "visando denegrir as Forças de Defesa e Segurança, difundindo nas redes sociais e outros meios audiovisuais alegadas imagens das FDS que configuram violações dos direitos humanos".

Segundo o governante, a insegurança em Cabo Delgado já provocou cerca de 435 mil deslocados internos.

Desarmamento e reintegração

O primeiro-ministro falou também do processo de desarmamento e reintegração das forças residuais da RENAMO, tendo afirmado que este processo já abrangeu 1075 homens armados. Reiterou ainda o apelo à autoproclamada Junta Militar para aceitar a trégua anunciada pelo Governo, em vigor desde domingo (25.10), para permitir o diálogo.  

As bancadas parlamentares divergiram na apreciação das respostas do Governo, com a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) a mostrar-se satisfeita e a oposição considerando que o Executivo não aprofundou a informação relativa às questões colocadas.

"A bancada da FRELIMO defende a apreciação positiva das informações porque entendemos que, numa conjuntura nacional e internacional adversa, agravada com o impacto da Covid-19, dos terroristas e dos homens armados da Junta Militar da RENAMO, o Governo está a conseguir fazer uma boa gestão macroeconómica", considerou a deputada Conceita Sortane.

Já a deputada Gania Mussagy, da RENAMO, afirmou que a deterioração da situação de segurança em Cabo Delgado resulta do facto de o Governo ter ignorado os primeiros sinais do grupo, apesar de vários alertas.

"Este momento é a altura ideal para que se promova a união entre os moçambicanos, a transparência, o envolvimento da Assembleia da República como o maior órgão representativo do povo moçambicano", disse Gania Mussagy, que acredita que altas patentes militares possam estar envolvidas no negócio da guerra em Cabo Delgado. 

"Tomámos conhecimento que existem indicios muito fortes de envolvimento de chefias militares do Exército nacional envolvidas nos negócios de guerra. O fornecimento de logística às forças que estão no terreno é feito por empresas detidas por altas patentes militares do regime", denunciou Mussagy.

Por seu turno, José Manuel Domingos, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), lembrou que "povo já não aguenta mais as faturas exorbitantes da má governação, geradora de conflitos sem fim, que terminam em acordos e sempre acordos".

O Governo volta na quinta-feira (29.10) ao Parlamento para responder a perguntas de insistência das três bancadas.

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