Rússia ameaça cortar fornecimento de gás à Europa | NOTÍCIAS | DW | 01.04.2022

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NOTÍCIAS

Rússia ameaça cortar fornecimento de gás à Europa

Termina esta sexta-feira o prazo estabelecido por Moscovo para que os pagamentos do gás sejam feitos em rublos. Alemanha insiste que vai pagar em euros ou dólares. PM italiano lembra que a Rússia não tem outro mercado.

Promete ser uma sexta-feira (01.04) agitada entre a Rússia e os Estados membros da União Europeia, tudo por causa do pagamento do gás russo. O Presidente russo, Vladimir Putin, decidiu na quinta-feira que a partir deste dia 1 de abril os compradores estrangeiros do gás russo terão que pagar em moeda da Rússia - rublos. E ainda terão de ter contas bancárias russas especiais, caso contrário os contratos serão interrompidos.

O decreto do Presidente russo sublinha que "a Rússia não fará caridade". As principais economias europeias dependem do gás russo para necessidades energéticas de forma significativa. Putin já telefonou os líderes das economias que compram o gás russo para os notificar sobre como deverão proceder a partir de agora. 

O chanceler alemão, Olaf Scholz, garante que a Alemanha vai continuar a pagar o gás em euro ou dólar: "A resposta é muito curta. Analisámos os contratos sobre gás e outras entregas. Neles, afirma-se que o pagamento é em euros, por vezes em dólares, mas normalmente em euros e eu disse ao Presidente russo que assim permanecerá. Teremos de olhar para as suas ações agora, mas o que é claro é que as empresas querem e pagarão em euros".

Berlin | Österreichischer Bundeskanzler KarlNehammer und Olaf Scholz

Karl Nehammer e Olaf Scholz esta quinta-feira, em Berlim.

Embargo fora de questão

A Alemanha já ativou, à semelhança da Áustria, o primeiro nível do seu plano de urgência para garantir o abastecimento de gás face à ameaça da suspensão dos fornecimentos russos. O chanceler austríaco Karl Nehammer reconhece a gravidade da situação gerada pela dependência do gás da Rússia: "Se me perguntar se é uma sensação terrível estar dependente do gás russo neste momento. respondo que sim", disse aos jornalistas, em conferência de imprensa.

"O gás da Rússia na Áustria não é utilizado apenas por particulares, mas também pela indústria e isso diz respeito ao emprego e à possibilidade de manter o nosso bem-estar e essa é também a minha função", sublinhou.

Tanto Scholz como Nehammer rejeitaram, contudo, mais uma vez, a imposição de um embargo energético contra Moscovo, devido à dependência dos seus países do gás proveniente da Rússia.

Rússia não tem alternativa, diz Draghi

Em declarações aos jornalistas estrangeiros em Roma, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, disse que Putin lhe assegurou que as empresas europeias não teriam que pagar, para já, o gás que importam da Rússia em rublos, e lhe deu uma longa explicação sobre como manter os pagamentos em euros, satisfazendo ao mesmo tempo a "indicação de pagamentos em rublos".

Italien Rom | Mario Draghi während Pressekonferenz

Mario Draghi na conferência de imprensa desta quinta-feira.

Draghi, que foi presidente do Banco Central Europeu de 2011 a 2019, disse que remeteu a discussão para os especialistas e que a análise do novo mecanismo de pagamentos está em curso "para perceber o que significa", incluindo "se isso significa algo para as sanções em curso" e para os contratos existentes.

No telefonema, que durou 40 minutos, Putin assegurou que "os contratos existentes permanecem em vigor. As empresas europeias continuarão a pagar em dólares e euros", referiu o chefe do Governo italiano. "O sentimento que tenho desde o início, é que não é simples mudar a moeda dos pagamentos sem violar os contratos", admitiu Draghi.

O primeiro-ministro de Itália notou ainda que a Rússia não tem outro mercado para o seu gás, dando espaço de manobra à Europa. "Não há esse perigo", respondeu quando questionado sobre o risco de a Rússia fechar as torneiras.

A União Europeia importa 90% do gás que consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas importações, em níveis variáveis entre os Estados-membros. A Rússia é também responsável por cerca de 25% das importações de petróleo e 45% das importações de carvão da UE.

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