O perigo do mercado ilícito de medicamentos em Moçambique | NOTÍCIAS | DW | 20.03.2020

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NOTÍCIAS

O perigo do mercado ilícito de medicamentos em Moçambique

Na província de Manica as autoridades esforçam-se para pôr cobro à venda ilícita de medicamentos. Os produtos extraviados e vendidos em mercados informais representam um perigo para a saúde da população.

Berta Faustino, de 33 anos de idade, residente no distrito de Macate, na província central de Manica, acaba de comprar quantidades não especificadas de Paracetamol e Coartem no mercado Francisco Manyanga.

Interrogada pela DW África logo a seguir à transação, Faustino revelou que recorre habitualmente ao mercado informal  "porque nas farmácias públicas às vezes não encontramos e os técnicos dirigem-nos para as farmácias privadas. E nas privadas custam muito caro. Por esta razão, eu opto por comprá-los aqui no mercado. Com esses ambulantes, os preços são baratos".

É um comportamento que preocupa o chefe da Inspeção Provincial da Saúde em Manica. Daniel António Chamussora diz que há muito trabalho de esclarecimento ainda por fazer: "Temos que informar a comunidade em geral que deve abandonar a prática de compra de medicamentos nos mercados informais", disse

Mosambik Manica | Illegaler Medikamentenverkauf: Berta Faustino

Berta Faustino diz que não pode pagar os medicamentos nas farmácias privadas

Chamussora, explicando que a validade dos fármacos pode já ter caducado. "Então aquilo já é um veneno", acrescentou, apelando para que os cidadãos se dirijam às unidades sanitárias. "Mesmo que lá não tenhamos algum medicamento, há alguma alternativa. Faz se uma receita e as pessoas compram nas farmácias privadas que é seguro", disse, salientando que os fármacos vendidos nos mercados são mal conservados e constituem um perigo para a saúde pública.

Consumir veneno

O problema vai além dos comércio ilegal de medicamentos, já que alguns vendedores fazem-se passar por médicos. Chamussora disse que alguns já foram neutralizados e punidos numa operação que também levou às celas e à expulsão alguns funcionários da saúde envolvidos nos esquemas de desvio e venda de medicamentos.

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O perigo do mercado ilícito de medicamentos em Moçambique

A Policia da República de Moçambique (PRM), o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), a Inspeção Nacional das Atividades Económicas (INAE) e a Inspeção Provincial de Saúde estão a trabalhar de forma concertada para desencorajar o roubo de medicamentos e sua posterior venda nos mercados informais.

Várias pessoas, incluindo profissionais de saúde e vendedores foram já julgados e condenadas a penas de prisão. Muitos foram apanhados em flagrante em Chimoio e outros distritos no tráfico ilícito de fármacos nos maiores mercados.

Medidas punitivas agravadas

O chefe da Inspeção Provincial da Saúde em Manica afirmou que sua equipe tem vindo a registar êxito na redução do desvio e venda de medicamentos do sistema nacional de saúde. Chamussora acredita que um dos fatores para o sucesso é o impacto das medidas punitivas contra os infratores.

Mosambik Manica | Illegaler Medikamentenverkauf: Daniel António Chamussora

O inspetor de saúde Daniel António Chamussora alerta para o perigo de medicamentos caducados

Entre os medicamentos vendidos nos mercados em Manica, destacam-se os antimaláricos, antibióticos, anestésicos e analgésicos. Muitos só podem ser adquiridos mediante receita médica. Os mercados informais também oferecem seringas, soros, termómetros, luvas, redes mosquiteiros e embalagens plásticas de uso exclusivo nos centros de saúde e hospitais.

O porta-voz da PRM em Manica, Mateus Mindú, disse estar em curso uma campanha de desmantelamento dos focos de venda de fármacos nos principais mercados informais e farmácias clandestinas. "Nos últimos dias o tráfego tende a reduzir", disse, graças também à colaboração da população "no que tange a vigilância e denuncia, de venda de fármacos".

O Ministério da Saúde (MISAU) esta a construir 30 armazéns intermediários a nível nacional para evitar roubo e desvio bem como favorecer a conservação dos medicamentos e artigos médicos e cirúrgicos. O projeto conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

 

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