Morreu a ativista anti-apartheid Winnie Mandela | NOTÍCIAS | DW | 02.04.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

NOTÍCIAS

Morreu a ativista anti-apartheid Winnie Mandela

Winnie Mandela morreu esta segunda-feira (02.04), aos 81 anos, num hospital de Joanesburgo, após "doença prolongada", anunciou o seu porta-voz.

A política e ativista Winnie Madikizela-Mandela, figura de referência da luta contra o regime do apartheid, morreu esta esta segunda-feira (02.04), com 81 anos, num hospital de Joanesburgo, após "doença prolongada", anunciou o seu porta-voz.

"É com grande tristeza que informamos o público de que a senhora Winnie Madikizela Mandela morreu no hospital de Milkpark de Joanesburgo segunda-feira 2 de abril", anunciou Victor Dlamini num comunicado.

"Lutou corajosamente contra o 'apartheid' e sacrificou a sua vida pela liberdade do país. Manteve viva a memória do marido, Nelson Mandela, enquanto esteve preso em Robben Island e ajudou a dar à luta pela justiça na África do Sul uma das suas faces mais reconhecíveis", afirmou.  

Winnie Mandela foi casada com o antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela durante 38 anos. Separaram-se em 1992, dois anos depois da saída de "Madiba" da prisão, após 27 anos detido, e dois anos antes de se tornar o primeiro presidente negro da África do Sul.

Também Winnie Mandela passou várias vezes pela prisão devido às suas atividades anti-apartheid, chegando a ser torturada pelas forças de segurança do Governo.

Em 1994, após as primeiras eleições democráticas, Winnie foi eleita deputada e nomeada vice-ministra de Arte e Cultura.

Winnie continuava a ser uma figura de referência dentro do Congresso Nacional Africano (ANC), partido que governa a África do Sul desde o fim do "apartheid". 

Figura controversa

O percurso de Winnie é indissociável do de Nelson Mandela. A imagem dos dois, caminhando de mãos dadas no dia da libertação do herói sul-africano em 1990, correu mundo.

Nascida a 26 de setembro de 1936 na província do Cabo Oriental (sul), obteve aos 19 anos um diploma como assistente social, uma exceção para uma mulher negra na altura. Casou-se com Nelson Mandela em junho de 1958, ela com 21 anos, ele um divorciado e pai de família com quase 40. 

Com a prisão do marido, assume a liderança da luta ao 'apartheid' e do Congresso Nacional Africano (ANC), mas divide pelo estilo autoritário, com membros do partido a acusarem-na de tortura e incitamento ao ódio. 

Em 1991 é julgada e condenada a seis anos de prisão, posteriormente comutados numa multa, pelo rapto de um jovem militante, Stompie Seipei. 

Em 1998, a Comissão de Verdade e Reconciliação, encarregada de julgar os crimes políticos no 'apartheid', considerou Winnie "politicamente e moralmente culpada de enormes violações dos direitos humanos". 

O arcebispo Desmond Tutu, que liderou a comissão, reagiu à notícia da morte da ativista lembrando-a como uma "inspiração" e "um símbolo maior" da luta contra o 'apartheid'. 
  

Leia mais