Moçambique: Parlamento rejeita realizar sessão para esclarecimentos sobre dívidas ocultas | Moçambique | DW | 20.12.2019
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Moçambique

Moçambique: Parlamento rejeita realizar sessão para esclarecimentos sobre dívidas ocultas

A justificação: assunto está nas mãos da justiça. E a Comissão Permanente da Assembleia da República rejeitou também o pedido para esclarecimentos sobre os ataques em Cabo Delgado. Os pedidos fora feitos pela RENAMO.

Mosambik Maputo Filipe Nyusi (DW/R. da Silva)

Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique, terá recebido dinheiro das dívidas ocultas

A RENAMO, principal partido de oposição, pediu a convocação de uma sessão urgente para o Governo prestar esclarecimentos sobre as dívidas ocultas e a violência no Norte do país. Mas recebeu um não.

 "São vários argumentos trazidos ou aduzidos em torno deste assunto [para rejeição do pedido da Renamo], mas entre eles é que se trata de um assunto que está a ser cuidado a nível dos órgãos de administração da justiça", declarou António Amélia, primeiro vice-presidente do Parlamento, citado pela Agência de Informação de Moçambique.

De acordo com o vice-presidente da AR, a comissão entendeu que, por respeito a interdependência dos órgãos, a Assembleia da República "não pode de forma alguma intervir nestas matérias".

Clarificação sobre o suposto envolvimento de Nyusi

Em causa está o facto do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, ter sido referenciado no julgamento das dívidas ocultas, em Nova Iorque, por alegadamente ter recebido um milhão de dólares (cerca de 900 mil euros) da Privinvest para a sua campanha presidencial de 2014.

Mosambik Anschlag in Naunde

Naunde, Cabo Delgado, depois de um ataque armado

O seu antecessor, Armando Guebuza, e a FRELIMO, partido no poder, também surgiram em testemunhos e documentos de transferências do estaleiro naval acusado de corrupção para montar empresas marítimas e contrair dívidas ocultas, garantidas pelo Estado moçambicano, no valor de dois mil milhões de euros, entre 2013 e 2014.

Ataques em Cabo Delgado são preocupação para oposição

Outro pedido está relacionado com os ataques armados nalguns distritos de Cabo Delgado, há dois anos. A região Norte do país vê-se a braços com ataques de grupos armados desde outubro de 2017.

Mais de 300 pessoas já morreram, segundo números oficiais e da população, e 60.000 residentes foram afetados, muitos obrigados a deslocar-se para outros locais em busca de segurança, segundo as Nações Unidas.

Numa ação concertada com petrolíferas que ali constroem os maiores megaprojetos de gás natural de África, o Governo tem intensificado a resposta militar com apoio logístico da Rússia, mas os ataques continuam e estão a perturbar as obras na península de Afungi.

As sessões plenárias regulares do Parlamento devem ser retomadas no próximo ano, após a posse dos novos deputados eleitos em 15 de outubro.

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