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Moçambique e Tanzânia reforçam parceria contra o terrorismo

21 de setembro de 2022

Moçambique e Tanzânia rubricaram hoje acordos de segurança e garantem que o combate aos insurgentes vai continuar. Isto, dias depois da África do Sul ter pedido ajuda aos EUA para combater o terrorismo em Cabo Delgado.

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O Presidente Filipe Nyusi agradeceu hoje (21.09) à Tanzânia pelos esforços que o país tem feito no combate ao terrorismo no norte de Moçambique.

Nyusi lembrou que esses esforços começaram muito antes da chegada da missão da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), há mais de um ano: "Já havia trabalho conjunto na inteligência, já estava a ocorrer, e isso ajudou bastante para contermos a evolução da força inimiga, mesmo antes da vinda da SAMIM".

Presidente moçambicano, Filipe Nyusi
Presidente moçambicano, Filipe NyusiFoto: Simon Wohlfahrt/AFP/Getty Images

Os chefes de Estado dos dois países reuniram-se esta quarta-feira em Maputo para abordar questões de paz e segurança.

A Presidente da Tanzânia, Samia Hassan, assegurou que o seu país vai continuar a ajudar na luta contra o terrorismo. "E estamos felizes porque assinámos dois memorandos - um sobre paz e segurança e outro sobre a evacuação, que também tem a ver com a paz e segurança", afirmou Hassan.

O conflito já provocou mais de 800 mil deslocados, segundo os últimos dados da Organização Internacional das Migrações. Cerca de 4.000 pessoas morreram.

Desde agosto, houve relatos de novos ataques, não só em Cabo Delgado, como também na província de Nampula.

Apoio dos EUA?

Na semana passada, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, pediu aos Estados Unidos apoio para combater o terrorismo no norte de Moçambique, por temer um alastramento da insurgência.

"A África do Sul poderá tornar-se num alvo e precisamos de recursos", apelou Ramaphosa, que notou que o seu país, é, além do Ruanda, quem mais contribui para esse combate.

Hilário Chacate, professor na Universidade Joaquim Chissano, olha para este pedido com bons olhos.

"O problema de terrorismo em Moçambique pode ganhar contornos preocupantes, de alastramento, não só para Moçambique, como para todos os outros Estados que assumiram essa luta em Cabo Delgado como a sua guerra", disse Chacate em declarações à DW África.

Analista político Wilker Dias
Wilker Dias: "Nós estamos a fazer um exercício para ter mais atores a nosso favor"Foto: Arcénio Sebastião/DW

Mais ainda – segundo o analista, o Presidente Cyril Ramaphosa está preocupado em proteger os investimentos que a África do Sul tem estado a fazer em Moçambique, sobretudo no setor energético.

"A África do Sul tem interesses económicos bastante sérios em Moçambique, e a instabilidade político-militar afeta diretamente os seus interesses. A África do Sul é o Estado mais poderoso da região da SADC, daí que tem algum protagonismo ao nível da região e algum sentimento de liderança."

O analista político Wilker Dias também não vê nenhum problema em ser a África do Sul a pedir apoio aos Estados Unidos, em vez de Moçambique. "Nós estamos a fazer um exercício para ter mais atores a nosso favor", refere.

Os Estados Unidos prometeram apoiar os parceiros no terreno para promover a estabilidade em Moçambique, com "recursos adicionais".

O Governo norte-americano anunciou, em abril, que Moçambique foi selecionado como "país prioritário para a Estratégia dos EUA para Prevenir Conflitos". Anualmente, Washington disponibiliza mais de 500 milhões de dólares em assistência.

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