1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Guiné-Bissau: Sociedade civil volta às ruas a 20 de janeiro

9 de janeiro de 2026

Organizações da sociedade civil convocam nova marcha em Bissau para exigir o retorno à legalidade constitucional e o fim dos "sequestros de cidadãos".

https://p.dw.com/p/56bcG
Cidadãos guineenses fogem ao ouvir tiros, a 26 de novembro de 2025, durante o golpe militar
Marcha marcada para exigir fim de sequestros na Guiné-Bissau e retorno à ordem constitucionalFoto: Patrick Meinhardt/AFP

A sociedade civil não baixa os braços. Depois das forças de segurança terem travado umamarcha, no final do ano, as organizações signatárias do chamado "Pacto Social para o Retorno à Legalidade Constitucional na Guiné-Bissau" voltaram hoje a anunciar mais um protesto.

"O Pacto Social anuncia a marcha para o dia 20 [de janeiro]. Pedimos à juventude e à população em geral para participarem nesta marcha", afirmou Flávio Gomes Cabuquene, membro do Pacto Social, durante uma conferência de imprensa, em Bissau.

Fazem parte do "Pacto Social" várias organizações da sociedade civil, sindicatos e partidos, que se uniram após o golpe militar de novembro para exigir o retorno à legalidade constitucional, a publicação dos resultados eleitorais e um diálogo nacional inclusivo com a supervisão da comunidade internacional.

Durante a conferência de imprensa desta sexta-feira, Malam Fati, porta-voz do "Pacto Social", criticou duramente a forma como o Comando Militar está a conduzir o país. Fati mencionou perseguições a cidadãos, raptos, espancamentos e repressão contra vozes críticas à liderança militar.

"Desde que assumiram o poder estamos a assistir a tudo menos à proteção do povo. Estamos a assistir a tudo menos à restauração da ordem e respeito pela Constituição", denunciou.

Fati afirmou, ainda assim, que o "Pacto Social" está disponível para dialogar com as autoridades militares para o bem-estar social, em nome de uma solução para a estabilidade no país.

Radar DW: Bissau adotará transição proposta pela CEDEAO?

Dialogar com as vítimas

A propósito da visita de dois líderes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que vão estar em Bissau amanhã para falar com o Comando Militar sobre a situação política e social no país, o porta-voz do "Pacto" apelou também ao diálogo com a sociedade civil.

"Queremos dizer à CEDEAO que não podem pensar em resolver o problema sem ouvir as vítimas ou as partes que estão a sofrer. Nós, como sociedade civil, temos de ser ouvidos."

Em declarações à DW, o analista político Fransual Dias entende que a libertação, ontem, de três políticos presos durante o golpe militar é uma demonstração de boa-fé por parte do Alto Comando face às exigências da CEDEAO – apesar do líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, continuar detido.

Para o analista, o retorno à normalidade constitucional no país só será possível com a continuidade da pressão contra o Alto Comando Militar: "A CEDEAO tem de demonstrar claramente que tem a vontade política de resolver este problema. Fazendo uma pressão efetiva, tomando medidas coercivas, aplicando sanções para que o Alto Comando Militar perceba o nível do nervosismo da comunidade internacional." 

Filha de Simões Pereira denuncia condições críticas