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Gás em Cabo Delgado: Jovens querem formação e oportunidades

31 de março de 2026

Jovens de Cabo Delgado sentem-se incluídos nos projetos ligados à futura exploração de gás em Palma, mas pedem mais oportunidades de formação técnica para poderem contribuir para o sucesso das operações e do país.

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Rua movimentada em Palma, Cabo Delgado
Autoridades e megaprojetos, têm promovido programas de formação de mão-de-obra localFoto: Roberto Paquete/DW

Foram retomadas, no início deste ano, as obras da plataforma de exploração de gás natural do projeto Mozambique LNG, na península de Afungi, em Palma, na província moçambicana de Cabo Delgado. Este é apenas um dos vários megaprojetos de extração de recursos naturais petrolíferos a serem implantados no norte de Moçambique.

Muitos jovens ouvidos pela DW África consideram que, nos últimos tempos, tem havido abertura de oportunidades, tanto para formações técnicas específicas do ramo petrolífero como para a integração no mercado de trabalho.

Mane Jabu, jovem residente em Pemba, capital de Cabo Delgado, não está empregado nestes projetos, mas diz notar com satisfação uma maior abertura de espaço para os jovens trabalharem nos megaprojetos, ao contrário de anos anteriores.

"Desta vez está a ser muito diferente, porque tenho visto muitos jovens, nomeadamente carpinteiros e eletricistas, a saírem para lá [em Palma, onde decorrem os trabalhos preparatórios para a exploração de gás natural liquefeito]. Digo que, se este ritmo de abertura de oportunidades de trabalho para os jovens se mantivesse por pelo menos mais um ano, teríamos uma vida diferente. Os jovens estão a ser incluídos", relata à DW.

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Jabu, que espera poder vir a integrar o grupo dos novos recrutados em Palma, acredita que a inclusão nas oportunidades de emprego nos megaprojetos poderá estimular o desenvolvimento das comunidades: "A inclusão será melhor para a nossa província, porque, com mais jovens empregados, teremos menos desemprego, o que representa um sucesso para Cabo Delgado e para o país inteiro."

Mais formação e bolsas de estudo

As autoridades governamentais de Cabo Delgado, em conjunto com os próprios megaprojetos, têm promovido programas de formação de mão-de-obra local, proporcionando bolsas de estudo, particularmente para áreas técnicas como carpintaria, serralharia, eletricidade, mecânica e canalização. As bolsas formativas incluem também o ensino superior.

Recentemente, 38 bolsas de estudo para o ensino superior e técnico-profissional foram atribuídas a jovens da província pelo Programa de Empoderamento Pessoal e Académico (PEPA), uma iniciativa financiada pelo projeto Rovuma LNG, através da ExxonMobil Moçambique.

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Igor Camilo recebeu uma bolsa para se formar em engenharia geológica. Para ele, o objetivo é claro: quer participar na extração de recursos energéticos da sua província. "Vim adquirir conhecimento e aprender mais sobre como me posso enquadrar na exportação de petróleo e de muitos outros minerais", conta.

A iniciativa é vista pelo Governo como um passo decisivo rumo ao empoderamento económico e à preparação da mão-de-obra local para os diversos projetos de extração de recursos em Cabo Delgado.

Ainda há muito por fazer

O ativista social Feliciano Atanásio reconhece os esforços governamentais para dotar os jovens locais de ferramentas e oportunidades de acesso aos megaprojetos, mas considera que ainda há muito por fazer.

"Não seria justo dizer que os jovens não estão a ter oportunidades. Têm-nas, porque tenho visto amigos e jovens a viajarem para Palma para trabalhar em projetos subcontratados pela TotalEnergies. Alguns vão mesmo trabalhar diretamente para a TotalEnergies. Portanto, aos jovens de Cabo Delgado estão a ser dadas oportunidades", afirma.

O que falta sobretudo é abertura de portas para que os jovens já formados consigam aceder a posições de relevo ao nível das empresas extrativas, considera o ativista. "Que tipo de oportunidades são dadas a estes jovens? Será que servem, de facto, para desenvolver as suas vidas e as das suas comunidades? Não há abertura para colocar os jovens de Cabo Delgado em posições de liderança e de confiança, como, por exemplo, serem gestores. O que acho que falta é exatamente isto. Não se trata apenas de levar um jovem para ser carpinteiro ou serralheiro. Quanto às posições de liderança, quem as assume?", questiona.

Feliciano Atanásio considera que o Governo tem apostado mais na arrecadação de receitas fiscais do que, propriamente, em iniciativas que promovam e melhorem as condições de vida das populações.