Crise de combustíveis: "Não há razão para alarme"
29 de março de 2026
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou querer "tranquilizar" a população, sublinhando que, "talvez, lá para finais de abril e princípios de maio, de acordo com os cálculos que estamos a fazer agora, é que vamos começar a ver estes preços [a subir], se a guerra continuar. (…) Ainda temos um período de um mês, um mês e meio para aguentarmos", disse.
Chapo disse ainda que "não há razão para alarme" em Moçambique face à crise de combustíveis em vários países - agravado pelo conflito no Médio Oriente - apontando a falta de portos e depósitos como motivo de aumento de preços em algumas regiões.
"Esta crise [de combustível] realmente está a acontecer em muitos países ao nível do mundo e do nosso continente também, porque eles não têm portos, estão no interior do continente e, por falta de portos, também não têm depósitos suficientes para poderem ter combustível ao preço atual", frisou.
O chefe de Estado moçambicano respondia a perguntas de jornalistas no balanço da sua participação na XI.ª Cimeira da Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), em Malabo, capital da Guiné Equatorial.
Filas para abastecer
Por outro lado, a capital moçambicana e a província de Maputo têm registado enchentes nas bombas de combustíveis, com filas enormes de automobilistas que tentam abastecer.
Na sexta-feira, o Governo moçambicano refutou uma crise de combustíveis no país, indicando que está a decorrer o processo normal de reposição de 'stock', o que eleva para mais 26 dias a disponibilização de gasolina e para 17 dias no gasóleo.
Em comunicado, a Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis esclareceu que o país tem assegurado um contrato defornecimento de combustíveis até maio de 2027, sendo que as importações feitas quinzenalmente estão a decorrer normalmente, "sem qualquer disrupção".
Cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique a partir do Médio Oriente transitam pelo Estreito de Ormuz, encerrado pelo Irão devido ao conflito na região.
No comunicado, o Governo indicou que a compra de elevadas quantidades de combustíveis face à alegada crise está a causar "alguma pressão nos 'stocks'" existentes nos postos de abastecimento, "trazendo constrangimentos ao longo da cadeia de distribuição", pelo que pediu calma e recomendou a não constituição de reservas domésticas que contribuem para essa pressão.
"Não há situação de rutura"
Também a Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (Amepetrol) garantiu na sexta-feira, em comunicado, que "não há situação de rutura iminente de combustíveis" no país, assegurando que o abastecimento está a ser gerido de forma contínua e coordenada entre os intervenientes.
Esta associação adiantou que, para reduzir a pressão nos postos de abastecimento, "foi autorizada a operação dos terminais oceânicos para sábado, 28 de março, permitindo aumentar a expedição de produto para o mercado de retalho".
A Amepetrol pediu que se mantenha a normalidade no consumo, evitando comportamentos que possam gerar "constrangimentos desnecessários" à rede de distribuição.
O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, garantiu, no dia 10, que Moçambique tinha 75 mil toneladas de combustíveis, quantidade considerada suficiente até princípios de maio, adquirida a preços anteriores ao início do conflito no Médio Oriente.
Amílcar Tivane disse ainda que Moçambique tem também nos terminais oceânicos cerca de 85 mil toneladas de combustíveis, que podem ser usados em caso de necessidade.