Covid-19: Incumprimento de medidas de prevenção pode levar a ″calamidade″ em Moçambique | NOTÍCIAS | DW | 18.05.2020
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Covid-19: Incumprimento de medidas de prevenção pode levar a "calamidade" em Moçambique

Autoridades estão preocupadas com novas cadeias de transmissão no país. Em Cabo Delgado, ministro da Saúde lançou o alerta: recomendações do Governo devem ser seguidas para evitar situação de calamidade de saúde pública.

Continua a aumentar o número de casos positivos do novo coronavírus em Moçambique, uma situação que está a preocupar as autoridades sanitárias. A preocupação cresce numa altura em que surgem novas cadeias de transmissão em vários pontos do país, com o registo de casos em Manica, Tete, Sofala e Inhambane.

Esta segunda-feira (18.05), último dos quatro dias da sua visita à província de Cabo Delgado, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, voltou a apelar ao cumprimento rigoroso das medidas de prevenção para evitar o pior cenário: "Este apelo deve ser redobrado porque nós saímos de uma situação de transmissão esporádica para uma situação de focos de transmissão", frisou.

Segundo o ministro, após este processo de avanço na transmissão, o país estará na transmissão comunitária. "E se chegarmos a essa fase, estaremos numa situação de calamidade", garante.

Se um falha, todos falham

O ministro da Saúde lamentou ainda a postura de muitos moçambicanos perante as medidas do estado de emergência que vigora no país desde abril, contrariando o que "muitas pessoas pensam, e isto já está a ficar generalizado, que o Governo é responsável pela prevenção da Covid-19".

Assistir ao vídeo 03:15

Cabo Delgado, o epicentro da pandemia em Moçambique

"O papel do Governo é criar as directrizes e é cada um de nós que deve fazer o trabalho da prevenção. Portanto, prevenir a Covid-19 é uma responsabilidade de cada um de nós e de todos, como uma comunidade moçambicana. Se cada um de nós fizer a sua parte nós vamos ter sucesso na prevenção. Se um de nós falhar nós todos vamos falhar", considerou.

Também a Polícia da República de Moçambique (PRM) está preocupada com a violação das regras. Este domingo, na celebração dos 45 anos da polícia moçambicana, o Comandante-Geral, Bernardino Rafael, exortou os agentes da PRM a envolverem-se na prevenção da gripe viral, apelando ao empenho de todos os agentes "nas fronteiras, postos policiais, comando dos regimentos de várias especialidades e na garantia da ordem e segurança pública". Bernardino Rafael frisou que a PRM deve evitar perturbações "para que os moçambicanos consigam observar da melhor forma o estado de emergência".

Laboratório em Cabo Delgado?

Cabo Delgado é a província com mais infecções pelo novo coronavírus em Moçambique. Mas as amostras continuam a ser transportadas para a capital do país para serem testadas. Questionado sobre a eventual instalação de um laboratório na região, o ministro da Saúde sublinhou os obstáculos financeiros e técnicos: "Um laboratório completo a ser montado numa província como Cabo Delgado está entre 300 mil a 500 mil dólares. Isto inclui o elemento para a extração de DNA, os kits de extração e a máquina que faz o teste do PCR. Mas o problema maior não está no custo, está em assegurar a qualidade da realização do teste".

"O PCR é um teste de uma exigência técnica elevada", explicou Armindo Tiago. "Por outras palavras, não é só adquirir e colocar o equipamento em Cabo Delgado. É preciso assegurar que os aspectos técnicos estão no lugar para permitir que aquilo que é o resultado do teste seja credível".

Armindo Tiago garantiu que não há custos adicionais para o Estado com o envio das amostras de Cabo Delgado para Maputo, uma vez que a operação está a ser levada a cabo em colaboração com as Linhas Aéreas de Moçambique.

Além do apoio à equipa técnica da província no âmbito da Covid-19, a análise da situação dos deslocados dos ataques armados e a preparação da vacina contra a cólera na província, a visita do ministro da Saúde a Cabo Delgado incluiu ainda a distribuição de máscaras aos cerca de 17 mil deslocados nos centros de acolhimento em Metuge.

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