Ciclone Idai: Crianças órfãs em Moçambique após a tragédia | Moçambique | DW | 20.04.2019
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Moçambique

Ciclone Idai: Crianças órfãs em Moçambique após a tragédia

Segundo a UNICEF, cólera, malária e desnutrição são em geral alguns dos riscos para crianças após a passagem do ciclone Idai. E as crianças que ficaram órfãs após essa tragédia estão a receber assistência.

Kinder in Mosambik nach Idai Ziklon brauchen Hilfe
(UNICEF)

Cerca de 1,5 milhão de crianças precisam de ajuda urgente após a passagem do ciclone Idai (Foto Ilustrativa).

Estima-se que três milhões de pessoas – mais da metade delas crianças – precisem de ajuda em Moçambique, Zimbabué e Malawi, os três países afetados pela passagem do ciclone Idai em meados de março. Entre as crianças que precisam de ajuda, há aquelas que perdem os pais em decorrência dessa tragédia, uma das maiores em pelo menos duas décadas a atingir a costa sudeste de África.

Doenças como cólera e malária, a desnutrição, além da destruição das casas nas comunidades são os principais riscos para as crianças hoje apontados pela UNICEF em Moçambique. E o trauma sofrido pelas mesmas, e sobretudo as órfãs, decorrente dessa catástrofe natural é um problema que também preocupa.

Além de casas, o ciclone Idai destruiu várias culturas agrícolas de que dependiam para sobrevivência a maioria das populações afetadas. A organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que o ciclone causou a perda de cerca de 750 mil hectares de colheitas na região centro de Moçambique, agravando a insegurança alimentar da área e do país. 

Crianças órfãs

Kinder in Mosambik nach Idai Ziklon brauchen Hilfe
(UNICEF)

Crianças em Moçambique caminham no meio de infraestruturas destruídas pelo ciclone Idai

Em Moçambique, nas áreas afetadas pela passagem do ciclone, as crianças que perderam os seus pais estão a receber assistência de funcionários do Governo e de organizações internacionais. Estima-se que até o momento haja entre dez e 12 crianças nesta situação. O representante adjunto do UNICEF em Moçambique, Michel Le Pechoux, diz que há um trabalho específico para identificar aquelas que ficaram órfãs em decorrência da passagem do ciclone.

"Há alguns casos de crianças que perderam os seus pais. Algumas delas foram hospedadas em infantários. Nesses locais, os assistentes sociais estão a buscar parentes e familiares, onde as crianças poderiam voltar [às comunidades]", explica Le Pechoux.

À DW África, José Diquissone, o Diretor Provincial de Género, Criança e Ação Social da província de Sofala, uma das mais devastadas pela passagem do ciclone Idai, confirma que até o momento os "registos apontam 12 crianças que efectivamente ficaram nesta situação [órfãs]".

Em Chimoio, para mitigar a pobreza galopante que se acentuou após a devastação do ciclone Idai, represas agrícolas, de quintas coloniais, estão a ser transformadas em centro de pesca para centenas de miúdos, alguns órfãos e outros abandonados.

Riscos para crianças

Ouvir o áudio 03:15

Ciclone Idai: Crianças órfãs em Moçambique após a tragédia

Entre os principais riscos para as crianças vítimas do ciclone hoje apontados pela UNICEF estão as doenças como cólera e malária. Isso, por causa das enchentes que seguiram a passagem do ciclone. Também preocupam a desnutrição decorrente da devastação de áreas agrícolas, além da destruição de casas e infraestruturas nestas localidades.

Esforços recentes têm sido direcionados para garantir o retorno de crianças e suas famílias às suas comunidades dos locais devastados. Mas para as crianças que além de terem perdido as suas casas também perderam os seus pais, a situação pode ser mais grave.

Em Sofala, uma das áreas mais atingidas pelo Idai, o Diretor Provincial de Género, Criança e Ação Social de Sofala diz que ali elas estão a ser recolhidas no infantário provincial. Já "outras crianças órfãs - que perderam ou o pai, ou a mãe - poderão ser perfeitamente enquadradas nas estruturas familiares".

Para Michel Le Pechoux, representante da UNICEF em Moçambique, integrar essas crianças órfãs à comunidade e ao ambiente familiar, em vez de encaminhá-las aos orfanatos, deve ser preferível, "achamos que o infantário deveria ser uma medida provisória", explica.

Trauma

Artze in Mosambik Kinder Assistenz (UNICEF)

Nos centros de acomodação da UNICEF em Moçambique, crianças afetadas pela passagem do ciclone Idai também estão a receber auxílio psicológico

O trauma sofrido pelas crianças é outro aspeto a preocupar. Nos centros de atendimento às vítimas foram criados os espaços chamados "child friendly spaces". São locais onde as crianças recebem atendimento psicológico.

Segundo o psiquiatra alemão Dr. Volker Reinken, especialista no tratamento da depressão e burnout e médico chefe da clínica Akutklinik Urbachtal, na Alemanha, alguns sintomas são típicos após uma experiência traumática, tanto em adultos como em crianças.

"Típico de um trauma, ou um transtorno de estresse pós-traumático, por exemplo, é que nesta situação o afetado não consegue nem lutar, e nem sair da situação. Além disso, há o choque massivo e a confusão das funções cognitivas", explica.

A psique de um adulto e uma criança funcionam, a princípio, do mesmo modo, explica o médico. "Mas as crianças aprendem mais rápido do que adultos, por isso, quanto mais cedo a ajuda chegar naturalmente será melhor", diz o médico.

Além disso, de acordo com o especialista, alguns aspetos são importantes para o tratamento pós-traumático de vítimas, inclusive crianças. "Tratamento psicológico, estabilização, confrontação e integração".

Dados recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância, a UNICEF, apontam que pelo menos 1,5 milhão de crianças precisam de ajuda urgente após a devastadora passagem do ciclone Idai pela costa sudeste de África. O ciclone Idai provocou 344 mortes no Zimbabué, 56 no Malawi e pelo menos 603 em Moçambique, deixando quase 70 mil pessoas deslocadas apenas neste último país.  

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