Cessar-fogo em Gaza recebido com entusiasmo em todo o mundo
9 de outubro de 2025
Desde que foi anunciado, na quarta-feira à noite, o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas anunciado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, tem sido amplamente saudado pelos líderes mundiais que, na sua maioria, pedem respeito pelo acordado.
Entretanto, já na tarde desta quinta-feira, o Governo israelita fez saber que a "versão final da primeira fase" do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, foi assinada hoje de manhã por todas as partes envolvidas.
O plano em questão está a ser descrito por muitos como um "momento histórico". É o caso do Presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi que, na sua conta da rede social Facebook, destaca que "o mundo está a testemunhar o triunfo da vontade de paz sobre a lógica da guerra".
Johann Wadephul, ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, descreve também este como um "dia histórico, não só para Israel e para o povo de Gaza, mas para o mundo inteiro". O governante alemão diz esperar que, após esta primeira fase, que deve ser "implementada muito em breve”, é necessário "preparar as próximas fases”.
"Em nome do governo alemão, posso garantir a todos que faremos o que for esperado da nossa parte, especialmente ajuda humanitária”, garantiu.
António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, descreveu o acordo como "um avanço desesperadamente necessário", sublinhando que "é uma oportunidade para avançar para uma solução de dois Estados".
Guterres defendeu a libertação de todos os reféns de forma digna, a garantia de um cessar-fogo e pediu que o "derramamento de sangue cesse, de uma vez por todas". O líder da ONU garantiu ainda que a organização está pronta para prestar apoio total.
"Nós e os nossos parceiros estamos preparados para agir -- agora. Temos a expertise, as redes de distribuição e as relações comunitárias necessárias para agir", insistiu.
Também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o anúncio de Donald Trump e pediu que as partes "respeitem integralmente" o acordado [para] que o sofrimento acabe".
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, fala de "um profundo momento de alívio" para o mundo. Apela ainda que o acordo seja "implementado na íntegra, sem demora, e [deve] ser acompanhado pelo levantamento imediato de todas as restrições à ajuda humanitária vital para Gaza".
Na mesma linha, o Governo cabo-verdiano considerandou o acordo anunciado como "um passo necessário para a paz no Médio Oriente", apelando também a Israel e ao grupo islamita Hamas para que respeitem o entendimento.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros cabo-verdiano nota a importância de o acordo prever "a libertação de todos os reféns e a implementação da solução de dois Estados independentes, soberanos e democráticos, Israel e Palestina, em conformidade com as resoluções das Nações Unidas e com a recente Declaração de Nova Iorque, de agosto".
Já a Amnistia Internacional entende que o plano apresentado por Donald Trump é insuficiente, porque "não exige justiça para as vítimas de crimes atrozes, nem responsabilização dos perpetradores". Em comunicado, a secretária-geral da organização de defesa dos direitos humanos, Agnès Callamard, defende que o acordo devia incluir "medidas concretas para acabar com o sistema de 'apartheid'".
Plano de Trump repleto de "campos minados"
Cético também está Fawaz Gerges, especialista em assuntos do Médio Oriente. Em entrevista à DW, o analista diz que o otimismo excessivo é injustificado e que "há muitas coisas podem correr mal".
Na opinião de Gerges, que é professor de político do Médio Oriente e Relações Internacionais na London School of Economics, embora o plano apresentado traga "esperança", está repleto de "campos minados".
"O Hamas vai-se desarmar? Duvido muito. Israel vai retirar todas as suas forças de Gaza? Duvido muito", constatou.
"Quem governará Gaza na manhã seguinte? O Hamas e [...] vários grupos palestinianos deixaram bem claro que gostariam que a Autoridade Palestiniana estivesse no poder. No entanto, o Presidente Trump e Israel insistem num Conselho de Paz composto basicamente por estrangeiros."
Misto de sentimentos
Em Gaza, o cessar-fogo foi recebido com algum alívio, mas também desconfiança. Deslocados e habitantes voltam agora a ter esperança de poder regressar às suas zonas de origem.
Já em Israel, milhares de pessoas, entre as quais as famílias dos reféns, reuniram-se na praça dos Reféns, em Telavive para celebrar o acordo anunciado.