Ataques armados deixam mortos e casas queimadas em Cabo Delgado | Moçambique | DW | 17.01.2022

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Moçambique

Ataques armados deixam mortos e casas queimadas em Cabo Delgado

Grupos armados mataram cinco pessoas e incendiaram casas em ataques a aldeias de Cabo Delgado, norte de Moçambique, de acordo com testemunhos de população em fuga. Uma das aldeias atacadas faz fronteira com a Tanzânia.

Desconhecidos atacaram Limwalamwala, aldeia remota no distrito de Nangade, pelas 17:00 locais de domingo e queimaram cerca de 200 casas construídas com material tradicional, relataram fontes locais. De acordo com os relatos, do ataque resultaram pelo menos cinco mortes e a debandada geral da população para as matas.

O distrito de Nangade fica no extremo norte de Cabo Delgado: faz fronteira com a Tanzânia e a nascente é delimitado pelos distritos de Palma, vila dos projetos de gás, e Mocímboa da Praia, vila portuária reconquistada há cinco meses aos insurgentes.

Segundo fontes locais, o distrito tem contado com um reforço militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) -- que a par do Ruanda tem ajudado desde julho de 2021 a recuperar a segurança e a inverter a ocupação extremista que já dura há quatro anos.

Casas queimadas

Noutro ponto da província, no centro de Cabo Delgado, pelas 08:00 locais de domingo, grupos armados atacaram a aldeia de Nkóe, situada a seis quilómetros da estrada nacional 380.

Infografik Karte Mosambik Gasfelder PT

Os agressores queimaram casas, mas até agora não há relato de vítimas.

Residentes relataram o ataque e a fuga generalizada da população para as matas. Parte dos habitantes segue para a sede de distrito mais próxima, Macomia, para daí rumar para a capital provincial, Pemba. Outras famílias permanecem escondidas nas matas. 

Ataques em Cabo Delgado

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, mas o conflito continua em vários distritos e tem atingido a província vizinha do Niassa.

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