Angola: Setor da saúde pede intervenção de João Lourenço | Angola | DW | 08.06.2021

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Angola

Angola: Setor da saúde pede intervenção de João Lourenço

Profissionais de saúde apelam ao PR para "travar" a escassez de materiais, medicamentos e de recursos humanos nas unidades sanitárias do país. Situação é mais crítica em Luanda, onde há mortes nos bancos das urgências.

Banco de urgência do Hospital Geral de Luanda (2018)

Banco de urgência do Hospital Geral de Luanda (2018)

Segundo profissionais ouvidos esta terça-feira (08.06) pela agência de notícias Lusa, o sistema de saúde primário, sobretudo na capital angolana, "colapsou" e as unidades hospitalares estão a registar em "média entre seis e dez mortes" associadas à malária e anemia. 

"Com todas as observações que temos feito não observamos melhorias nem de medicamentos, nem de recursos humanos e meios e o que me admira é o silêncio do Presidente da República, João Lourenço, em relação a isso", afirmou hoje o presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (Sinmea), Adriano Manuel. 

Para o médico Adriano Manuel, "é necessário que os altos dirigentes do país, sobretudo o Presidente da República, façam visitas surpresa aos hospitais públicos para observarem o que se passa verdadeiramente e quais as repercussões".

Malária

O lixo e as águas paradas, de esgotos a céu aberto e das últimas chuvas, referiu o dirigente sindical, "influenciam negativamente" o quadro sanitário de Luanda verificando-se um "elevado quadro de malária nos bancos das urgências", notou. 

Assistir ao vídeo 02:43

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"Estamos num quadro em que grande parte das crianças padecem de má nutrição crónica, por um lado, e de anemia crónica também, e quando a malária acomete esses pacientes encontra uma certa vulnerabilidade e daí surgem as mortes", disse. 

Ao quadro de malária associam-se as anemias e insuficiências dos 'stocks' do banco de sangue. "Daí que muitas crianças que acorrem aos nossos hospitais morrem de malária", lamentou Adriano Manuel, em entrevista à Lusa. 

O presidente do Sinmea estimou igualmente que, em média, o índice de mortalidade por malária nas unidades hospitalares "varia entre 06 e 10 mortes por dia, embora existam hospitais que tenham um nível superior e atingem mais de 18 mortes de crianças". 

"Isso acontece porque os níveis secundários e primários não têm recursos humanos e medicamentos e, então, as pessoas acorrem aos hospitais terciários por falta de condições para a aquisição de medicamentos", sublinhou. 

Desgaste dos profissionais

Apontou ainda "um visível desgaste físico geral de médicos, enfermeiros e demais técnicos de saúde, em consequência da demanda de pacientes", o que também influencia, frisou, "o índice de mortalidade". 

Porque, explicou o médico, "não se pode compreender como é que um médico sozinho num banco de urgência observa uma média de 150 doentes".

"É um cansaço terrível e infelizmente o Governo faz ouvidos de mercador", comentou. 

O cenário de enchentes nas unidades hospitalares, a partir do nível primário, foi também relatado pelo secretário-geral do Sindicato de Técnicos de Enfermagem de Luanda, Afonso Kileba, afirmando que a procura dos doentes "contrasta com a escassez de técnicos de saúde". 

Assistir ao vídeo 01:43

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Hospitais sobrelotados

"Os hospitais estão muito cheios, centros de saúde muito cheios, principalmente do nível primário, onde está a maior parte da população e é o nível que está desfalcado em termos de técnicos", disse hoje Afonso Kileba. 

Em declarações à Lusa, o responsável sindical e especialista em enfermagem lamentou também a "inexistência" de materiais descartáveis nas unidades sanitárias, referindo existir uma "redução de abastecimento do material gastável" nos hospitais de Luanda. 

"Há hospitais a que estão a ser atribuídas cinco ampolas de dipirona [fármaco para a febre] para um mês, de tal maneira que agrava também o quadro de mortes, devido à ausência de uma resposta capaz", indicou. 

Quanto a condições de trabalho, "já nem se fala, não existe alimentação ou condições de acomodação dos técnicos", atirou ainda Afonso Kileba. 

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