Vulcão Nyiragongo continua a semear o pânico na RDC e no Ruanda | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 27.05.2021

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Internacional

Vulcão Nyiragongo continua a semear o pânico na RDC e no Ruanda

Quatro dias depois da erupção do vulcão Nyiragongo, no leste da República Democrática do Congo, os habitantes de Goma e da cidade fronteiriça de Rubavu, no Ruanda, continuam em fuga. Já morreram pelo menos 32 pessoas.

Nos últimos dias, as autoridades registaram centenas de sismos na região, que chegaram a ser sentidos na capital ruandesa, Kigali. Apesar do aparente fim da erupção, com a imobilização dos fluxos de lava, as observações do Observatório Vulcanológico de Goma sugerem que a atividade vulcânica continua.

Pelo menos 32 pessoas morreram desde sábado (22.05), incluindo duas dezenas em consequência de gases libertados após a erupção e entre 900 e 2.500 casas foram destruídas pelos fluxos de lava, segundo as organizações humanitárias.

Em Rubavu, a cerca de 30 quilómetros de Goma, mais de 1.200 edifícios foram afetados pelos sismos e são visíveis várias fissuras numa das principais estradas da cidade, aos poucos, deserta.

População em pânico

O sentimento entre os residentes é de pânico. "Nunca vimos nada assim. Estamos repetidamente a sentir tremores de terra e as pessoas estão a correr desordenadas. Nunca vimos nada como estes sismos", disse um habitante.

"Desde sábado que durmo na minha plantação de bananas. Quando chove, não tenho abrigo. A minha casa ruiu ontem", conta outro residente.

Na praça de táxis de Rubavu, muitos passageiros aguardam há vários dias para deixar a cidade, onde os abalos continuam, rumo à capital, Kigali, ou outros locais seguros.

K

Pelo menos 32 pessoas morreram desde sábado em consequência de gases libertados após a erupção

As escolas estão agora fechadas e muitos estudantes tentam regressar a casa. É o caso de David, de 15 anos. "Acho que devia voltar para casa, porque as casas têm fissuras e o vulcão continua activo. As pessoas estão com medo", relata.

Os preços dos transportes quase triplicaram desde segunda-feira (24.05), à medida que as empresas notaram o aumento do fluxo de passageiros.

Fuga para o Ruanda

No posto fronteiriço com a República Democrática do Congo (RDC), conhecido como La Corniche, funcionários dos serviços de migração não têm descanso desde a noite de domingo, com milhares de congoleses a passar a fronteira para o Ruanda.

Leo, um jornalista e realizador britânico, estava em Goma há um mês. "Não sabíamos se a lava ia chegar a Goma, então ficámos na nossa casa, perto da fronteira com o Ruanda. Viemos agora, porque os sismos continuam e os vulcanologistas disseram que há hipótese de haver outra erupção", explica.

Segundo o Observatório Vulcanológico de Goma, os sismos "não são magmáticos" e deverão diminuir de intensidade, limitando a hipótese de nova erupção do Nyiragongo. 

Ainda assim, a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu "relocalizar" o seu pessoal não essencial de Goma, devido à atividade contínua do vulcão. E o hospital da cidade está sobrecarregado com doentes e vítimas indiretas do vulcão, queimadas ou feridas ao caminharem junto aos dois fluxos de lava a nordeste da cidade.

A cerca de 30 quilómetros, em Busasamana, no Ruanda, foi criado um campo de acolhimento temporário, onde estão refugiados mais de 600 congoleses.

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