Trump prolonga cessar‑fogo enquanto aguarda proposta do Irão
22 de abril de 2026
Na terça‑feira (21.04), antes do termo do acordo de cessar‑fogo dos EUA com o Irão, Donald Trump anunciou o prolongamento do acordo até que uma proposta iraniana seja apresentada e as discussões sejam concluídas. "Vou prolongar o cessar-fogo até que a sua proposta seja apresentada e as negociações estejam concluídas, seja qual for o resultado", escreveu na rede social Truth Social.
O Presidente norte-americano adiantou que ordenou às Forças Armadas que "continuem o bloqueio e, em todos os outros aspetos, permaneçam prontas e aptas, e, portanto, prolongará o cessar-fogo até que a proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra".
Trump justificou a sua decisão afirmando que o "Governo iraniano está profundamente dividido" e que o Governo paquistanês, atuando como mediador, lhe pediu que suspendesse o "ataque ao Irão até que os seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada".
Apesar de prolongar o cessar-fogo, os EUA vão manter o bloqueio naval norte-americano contra os navios iranianos, ordenado após o fracasso da primeira ronda de negociações com o Irão, a 11 e 12 de abril.
Ceticismo em Teerão
No entanto, apesar do anúncio, a incerteza mantém‑se elevada. Altos responsáveis iranianos ainda não tinham reagido formalmente até à manhã desta quarta‑feira, enquanto as primeiras reacções em Teerão foram cépticas.
A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que o Irão não solicitou o prolongamento do cessar‑fogo e reiterou ameaças de romper pela força o bloqueio naval imposto pelos EUA. O Irão considera o bloqueio marítimo da sua atividade comercial pela Marinha dos EUA como um ato de guerra.
Um conselheiro do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, disse à Reuters que o anúncio de Trump poderá ser uma manobra táctica, numa altura em que a retórica do Presidente norte‑americano tem oscilado fortemente.
Apenas horas antes de anunciar o prolongamento do cessar‑fogo, Trump afirmou esperar a retoma dos bombardeamentos dos EUA contra o Irão.
Atacado navio no Estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irão disparou contra um navio porta‑contentores no Estreito de Ormuz esta quarta‑feira, segundo a agência de segurança marítima das forças armadas britânicas.
A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que o ataque ocorreu por volta das 03h55 UTC. O ataque provocou danos no navio, mas não causou vítimas.
O Irão não comentou de imediato o incidente, que ocorre após recentes apreensões, por parte dos Estados Unidos, de embarcações ligadas ao Irão, num contexto de crescente tensão na região.
Impacto da guerra na economia global
O conflito perturbou também a navegação no Estreito de Ormuz, uma rota energética global crucial, fazendo subir os preços do petróleo e alimentando receios de recessão.
Noutras regiões, forçou países a reavaliarem a sua dependência do comércio marítimo para bens essenciais, como alimentos e combustíveis. A guerra afetou ainda gravemente as empresas no Médio Oriente.
O secretário‑geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou o prolongamento do cessar‑fogo como um passo importante para a desescalada, apelando a todas as partes para que "alcancem uma solução sustentável e duradoura”.