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Insurgentes devem ou não ter voz no Diálogo Nacional?

13 de outubro de 2025

Convite do governador de Cabo Delgado aos insurgentes para manifestarem as suas reivinidicações no Diálogo Nacional divide opiniões: Uns dizem que "não se negoceia com os terroristas" e outros são a favor da proposta.

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Moçambique Valige Tauabo, governador de Cabo Delgado
Foto: Delfim Anacleto/

Em Moçambique, o governador de Cabo Delgado apelou nesta sexta-feira (10.10) aos grupos insurgentes que desestabilizam a província para aproveitarem o Diálogo Nacional Inclusivo como espaço de manifestação das suas reivindicações.

A proposta de Valige Tauabo está a dividir opiniões no país. Há quem defenda a abertura ao diálogo como um caminho para a paz, mas outros consideram inaceitável negociar com quem espalha terror e morte.

Depois de um grupo de terroristas ter proferido um sermão numa mesquita na vila-sede distrital de Mocímboa da Praia, perante vários crentes, o governador de Cabo Delgado realizou uma visita relâmpago à região na semana passada.

O objetivo da deslocação, segundo explicou Valige Tauabo, foi manifestar solidariedade à população vítima do terrorismo e convidar o grupo armado a integrar o diálogo nacional em curso no país, para apresentarem formalmente as suas reivindicações, com vista a pôr fim à desestabilização do norte de Moçambique.

"Agora temos oportunidade, com este Diálogo Nacional e Inclusivo, de trazermos aqui (à mesa), para vermos onde é que está o problema. Se há quem se ache ferido em alguma coisa, então é o momento de haver esse diálogo em que todos os moçambicanos, se forem moçambicanos, tragam esses assuntos à mesa, para serem compreendidos e encontremos um meio-termo para que todos estejamos unidos”, disse. 

O governador sublinhou que existe espaço para ouvir as motivações de todos, mesmo de insurgentes estrangeiros, de modo a "deixarem de pôr a população em sofrimento”, segundo as suas palavras.

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Sociedade dividida

O apelo de Valige Tauabo aos grupos armados tem gerado diversas reações no país. Enquanto alguns apoiam a abertura ao diálogo, outros rejeitam totalmente a possibilidade de negociação.

O ativista social Fitina Gomes está entre os que se opõem à ideia de incluir no Diálogo Nacional os terroristas, responsáveis, há oito anos, por mortes, destruição e deslocações forçadas de populações em Cabo Delgado, Nampula e na província do Niassa.

"Já dizia Samora Moisés Machel, que não se negoceia com os terroristas", recorda uma ideia do primeiro Presidente de Moçambique independente.

Para Gomes "vê-se, ultimamente, que os terroristas não estão para o diálogo. Eles têm a sua ideologia, que é de matança, de criar terror. Então, esta abertura de diálogo vejo que não é assim que se deve combater os terroristas”.

Por seu lado, o ativista cívico Aly Hassane concorda com a iniciativa de diálogo, recordando que a disposição do Governo para negociar com os insurgentes não é recente. Hassane cita, por exemplo, os vários apelos doex-Presidente da República, Filipe Nyusi, para que os terroristas regressassem às suas comunidades.

"A ideia de dialogar não é errada, mas penso que a plataforma que o governador sugere pode não ser a ideal, porque ela, em específico, me parece que quer resolver um problema específico com a crise de 2024, que tem a ver com a questão das eleições e as reformas de que o Estado precisa”, considera.

Para Aly Hassane, é necessário criar uma plataforma mais adequada para viabilizar as conversações com os grupos armados: "Nós precisamos de assumir que, oito anos depois, combater o terrorismo por via armada não está a dar os resultados que desejamos".

E o ativista Hassane sublinha ainda que "até a própria estratégia de combate ao terrorismo já assume que tem de ser de vários atores e não apenas usar a força armada”.

Na percepção do ativista Fitina Gomes, "outros países não negoceiam com terroristas, porque o terrorista é uma pessoa extremamente perigosa para um país ou uma determinada região, por isso não acho correto que se crie esse espaço de diálogo". 

Gomes defende a continuação das operações militares como forma de restabelecer a paz em Cabo Delgado: "A forma de combater o terrorista é expulsando-o da nossa terra, para que nós, os moçambicanos, possamos viver livres e seguros”.

No fim de semana, durante uma visita ao distrito de Palma, o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, assegurou que o Estado está a preparar uma nova estratégia para conter as investidas dos grupos terroristas e reforçar a segurança na região.

"Vamos manter a nossa fé. A estratégia para a nossa segurança está a ser traçada para que tenhamos a melhor segurança."

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