Rebeldes recusam sair do leste da RDC após cessar-fogo entre Kinshasa e Kigali | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 07.07.2022

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Internacional

Rebeldes recusam sair do leste da RDC após cessar-fogo entre Kinshasa e Kigali

O grupo rebelde M23 rejeitou retirar-se das suas posições no leste da RDC, apesar de os Presidentes congolês e ruandês terem acordado um cessar-fogo na zona fronteiriça. Acordo foi mediado por João Lourenço, em Luanda.

Soldados congoleses permanecem na região onde atua o M23

Soldados congoleses permanecem na região onde atua o M23

Os líderes da República Democrática do Congo (RDC) e do Ruanda, Félix Tshisekedi e Paul Kagamé, respetivamente, acordaram na quarta-feira (06.07), após um encontro em Luanda, mediado pelo Presidente angolano, um cessar-fogo imediato na fronteira e a retirada dos rebeldes do M23, cujo ressurgimento no leste da RDCongo está na origem da tensão entre os dois países vizinhos.

No entanto, o porta-voz deste movimento, Willy Ngoma, rejeitou hoje a possibilidade de uma retirada: "Retirar-nos para ir aonde? Somos congoleses. Querem que vivamos sem país", questionou-se, em declarações à cadeia britânica BBC.

"Se houver um cessar-fogo, tem de ser entre nós e o Governo congolês", concretizou Ngoma, em declarações à agência France-Presse, afirmando que o acordo alcançado na quarta-feira "não compromete" o M23.

Problema dos congoleses

Ngoma insistiu que se trata de um problema político que deve ser resolvido pelos congoleses, uma vez que o grupo rebelde está a assumir a "nobre e justa causa" de defender os direitos da população congolesa que fala kinyarwanda.

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Segundo fontes ouvidas pela AFP, novos confrontos opuseram hoje de manhã as forças armadas da RDC aos rebeldes do M23, que tomaram uma localidade do território de Rutshuru, Kanyabusoro.

Um comandante das forças congolesas acusou os rebeldes de atacarem os militares no local, em violação do cessar-fogo anunciado na véspera, enquanto o M23 rejeitou as acusações e acusou o exército de o ter atacado.

Perigo de uma guerra

Tshisekedi alertou na quarta-feira para o perigo de uma guerra com o Ruanda se Kigali mantiver "as suas provocações" e reiterou as acusações contra o país vizinho de apoiar o M23.

Kigali rejeita as acusações e insiste que o grupo é composto por congoleses, acusando em contrapartida Kinshasa de apoiar um grupo armado rebelde fundado e integrado principalmente por hutus responsáveis pelo genocídio de 1994, teoria rejeitada por Tshisekedi.

As relações entre o Ruanda e a RDC, países vizinhos, deterioraram-se desde que a RDCongo recebeu, na sua parte leste, hutus ruandeses acusados de participar do genocídio de tutsis em 1994.

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Ressurgimento do grupo rebelde

A atual escalada da tensão deve-se ao ressurgimento do grupo M23 (Movimento 23 de Março), milícia armada que em 2012 fez oposição ao Governo congolês e gerou um violento conflito que forçou o deslocamento de milhares de pessoas na província do Kivu Norte.

No final do mesmo ano, o M23 assumiu o controlo de Goma, mas recuou depois de o Governo congolês aceitar abrir negociações.

O M23 era inicialmente uma milícia congolesa formada por tutsis da RDC e, alegadamente, apoiada pelos governos de Ruanda e Uganda. Em 23 de março de 2009, a milícia assinou um acordo de paz com o Governo congolês que culminou com a incorporação dos seus membros no exército da RDC.

Em março último, a RDCongo acusou o Governo do Ruanda de enviar militares das forças especiais para o território congolês.

Entre maio e junho deste ano, os ataques do M23 mataram dezenas de civis. Mais de 170.000 pessoas foram deslocadas. Os líderes da África Oriental concordaram no mês passado em criar uma força regional para tentar pôr fim ao conflito no Kivu do Norte.

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