Quem é Andre Hanekom, o sul-africano acusado de atacar Cabo Delgado? | Moçambique | DW | 03.01.2019
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Moçambique

Quem é Andre Hanekom, o sul-africano acusado de atacar Cabo Delgado?

Andre Hanekom é apontado pelo Ministério Público moçambicano como financiador e coordenador dos ataques em Cabo Delgado. O empresário sul-africano vive há 25 anos em Moçambique e tem uma propriedade em Palma.

Casas destruídas na aldeia de Mucojo, distrito de Macomia, depois de um ataque armado em junho de 2018

Casas destruídas na aldeia de Mucojo, distrito de Macomia, depois de um ataque armado em junho de 2018

O Ministério Público de Moçambique juntou mais cinco nomes à lista de cerca de 200 pessoas acusadas da autoria dos ataques armados em Cabo Delgado e entre eles está Andre Hanekom. Na acusação, com data de 24 de dezembro, o empresário sul-africano é apontado como "financiador, logístico e coordenador dos ataques", cujo objetivo era "criar instabilidade e impedir a exploração de gás natural na província" de Cabo Delgado, no extremo norte de Moçambique, junto à Tanzânia.

"Os coarguidos e seus comparsas pretendiam pelas suas ações armadas criar instabilidade e impedir a exploração de gás natural em Palma, para posteriormente criarem um Estado independente que anexe distritos da região de Cabo Delgado e a região sul da Tanzânia", refere a acusação.

Mosambik, Macomia: Mucojo village had houses destroyed by armed groups

Ataques armados no norte deixam rasto de destruição e morte

Segundo o documento, o grupo, composto também por cidadãos tanzanianos, possuía um total de cinco bases militares distribuídas pelo posto administrativo de Mpundanhar, distrito de Palma, e nas aldeias de Lilembo e Muangaza, no distrito de Mocimboa da Praia. 

Hanekom é acusado de pagar aos membros do grupo um valor mensal de 10 mil meticais (142 euros), além de providenciar medicamentos, supostamente administrados por um antigo funcionário do Hospital Rural de Mocímboa da Praia.

Sobre o grupo pesam sete acusações: homicídio qualificado, crimes hediondos, posse de armas proibidas, associação criminosa e contra a organização do Estado, instigação ou provocação à desobediência coletiva e perturbação da ordem e seguranças públicas. 

As autoridades moçambicanas dizem ter apreendido diversos instrumentos de crime na casa de Andre Hanekom em Palma, entre os quais catanas, frascos de pólvora, arcos e flechas e 12 foguetes.

Esposa nega acusações "totalmente falsas"

"O Andre é 100% inocente de tudo que estão a dizer", disse à Lusa a esposa de Andre Hanekom, Francis Hanekom, que considerou as acusações "totalmente falsas" e disse que o seu marido está preso ilegalmente, desde agosto, numa base militar em Cabo Delgado. Entretanto, foi lançada uma petição a pedir a sua libertação.

"Tudo isto está a acontecer porque há pessoas influentes que querem a propriedade do Andre na praia", escreveu nas redes sociais a esposa do empresário sul-africano.

Strand in Mosambik - Anadarko

Francis Hanekom tem uma propriedade na praia em Palma

Francis Hanekom diz que há desinteresse das autoridades sul-africanas em investigar o caso. "Eu já escrevi por várias vezes para a África do Sul e nunca tive uma resposta. Espero que agora isso mude, porque o que estão a fazer é uma injustiça", frisou Francis Hanekom.

Esta semana, a chefe da diplomacia da África do Sul, Lindiwe Sisulu, pediu às autoridades que investiguem as acusações.

200 suspeitos em julgamento

Os nomes avançados formalmente na acusação juntam-se aos cerca de 200 suspeitos que já estão em julgamento, acusados de protagonizarem ataques a aldeias recônditas da província de Cabo Delgado.

No início de dezembro, a organização não-governamental Human Rights Watch denunciou novas suspeitas de execuções sumárias e abusos das autoridades de Moçambique contra os alegados autores de ataques a povoações remotas no norte do país.

A onda de violência começou após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em outubro de 2017. Desde então já houve dezenas de ataques que, de acordo com números oficiais, já custaram a vida a pelo menos 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

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