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Cabo Delgado: Vídeo gera polémica sobre atuação militar

26 de setembro de 2025

Um vídeo divulgado em Mocímboa da Praia expôs diferentes perceções sobre a atuação militar em Cabo Delgado. Ativistas apontam desafios na relação das Forças Armadas com a população e maior aceitação das tropas ruandesas.

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Tropa do Ruanda
A tropa ruandesa foi destacada em 2021 para apoiar Moçambique a combater grupos extremistas Foto: DW

Um vídeo recentemente divulgado nas redes sociais, que alegadamente mostra a expulsão de militares moçambicanos e a receção calorosa às tropas ruandesas por populares em Mocímboa da Praia, suscitou debates sobre o clima de confiança em relação às Forças Armadas, no âmbito do conflito armado envolvendo ataques extremistas em Cabo Delgado.

De imediato, um oficial superior das Forças Armadas negou a autenticidade das imagens, afirmando tratar-se de uma manipulação destinada a servir interesses inconfessos. A polémica elevou-se a ponto de cidadãos acusarem a instituição militar de falta de transparência no que respeita ao conflito no norte de Moçambique.

Mocímboa da Praia, Cabo Delgado, Moçambique
Mocímboa da Praia, Cabo DelgadoFoto: DW

O ativista social Abudo Gafuro é categórico: "Aquelas imagens não são de inteligência artificial, são imagens reais que denunciam atropelos aos direitos humanos e fundamentais dos cidadãos. É por isso que algumas ações das nossas Forças de Defesa e Segurança deixam a desejar, e a população acaba por preferir aquele que não a agride e que compra a sua consciência com pequenas ações.”

As acusações não param por aí. Aly Caetano, também ativista social e com forte ligação às comunidades do norte de Cabo Delgado, sublinha que a relação civil-militar "há muito deixou de ser de proximidade”.

Denúncia de abusos

"Precisamos ser honestos em afirmar que, em regiões como Mocímboa da Praia, Macomia, Quissanga ou Palma, as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas não são bem vistas por causa do tipo de tratamento que deram à população”, explica.

Entre as razões apontadas para o mal-estar, Caetano fala em suspeitas de fuga de informação dentro da corporação, o que, a seu ver, terá facilitado ataques extremistas: "O facto de os terroristas terem o mesmo uniforme que as Forças Armadas e alguma informação privilegiada alimenta o nível de desconfiança. Temos relatos de civis mortos em Macomia, pescadores mortos por militares. Isso afasta a confiança da comunidade.”

Forças Armadas moçambicanas
Alto dirigente das Forças Armadas negou a rejeição de militares moçambicanosFoto: Marc Hoogsteyns/AP Photo/picture alliance

Apesar das críticas, Abudo Gafuro admite que os militares nacionais têm dado resposta em zonas de maior risco: "As Forças de Defesa e Segurança fazem trabalho, sim. Nas áreas mais complexas estão lá a garantir a integridade territorial e a soberania.”

Tropa ruandesa acarinhada?

Mas se os moçambicanos dividem opiniões, os militares ruandeses parecem colher frutos de uma estratégia diferente. Segundo Aly Caetano, a proximidade com a população é notória: "Grande parte deles fala a língua local, fazem atividades de engajamento comunitário como limpezas e atividades recreativas, apoiam a construção de salas de aula e mercados. Isso faz com que granjeiem maior simpatia junto das comunidades.”

O ativista estranha, por isso, a postura do Governo: "Infelizmente, negar o que acontece é dar um tiro no próprio pé. Transmite a ideia de que as instituições não são confiáveis e ocultam informação relevante sobre Cabo Delgado.”

Já Gafuro aponta caminhos para uma possível reconciliação entre Forças Armadas e população civil: "Temos que agir com transparência e responsabilidade nas operações, respeitando os direitos humanos e evitando abusos contra a população civil.”

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