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Moçambique: Câmara Africana pede colaboração para gás

Lusa
2 de janeiro de 2021

A Câmara de Energia Africana (CEA) defendeu hoje (2.1) que colaboração e partilha de experiências são fundamentais para desenvolver gás em Moçambique, numa abordagem que, acreditam, "deve virar-se para o mercado".

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Mosambik | Provinz Inhambane | Sasol Erdgasexploration
Exploração de gás em Inhambane, Moçambique. Foto: Roberto Paquete/DW

"A necessidade de mais colaboração e de experiência partilhada entre os peritos africanos energéticos vai ser crítica para Moçambique no contexto de transformação das enormes descobertas de gás natural em receitas para o Estado", disse o presidente da CEA em Moçambique, Florival Mucave.

O representante deste grupo privado focado no aumento dos investimentos das multinacionais em África disse que "o Estado e o setor privado precisam de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das infraestruturas fundamentais para a utilização doméstica do gás, que será determinante para o desenvolvimento do país e para resolver os problemas de dificuldades de acesso a energia pelos seus cidadãos".

Mosambik | Mann radelt an einer Gas-Tankstelle vorbei
Cabo Delgado, província do norte de Moçambique, apontado como promissor centro de uma indústria de gás natural, tem visto uma série de ataques.Foto: Getty Images/AFP/E. Josine

Segurança

As declarações de Florival Mucave surgem num contexto de agravamento dos problemas de segurança no norte do país, onde os maiores investimentos das petrolíferas na exploração de gás estão a ser feitos e prometem multiplicar a riqueza do país por via da exploração e exportação de gás natural liquefeito.

Os agentes económicos moçambicanos dos setores público e privado reconhecem que o país "está numa encruzilhada no seu desenvolvimento, e nesse contexto a construção de um política energética que leve em consideração as questões climáticas é essencial para o país", defende o responsável.

O gás de Moçambique, defendeu, "é importante para o mundo e vai agir como uma ponte para outras fontes de energia, por isso os empresários locais devem estar prontos para participar neste desenvolvimento, em que o conteúdo local e o emprego não podem ser apenas 'slogans', mas sim preocupações reais", vincou o responsável.

Schiffsplattform Saipem
Bacia do rio Rovuma, Moçambique.Foto: ENI East

Consumo interno

Neste contexto, concluiu, "as questões à volta do gás para consumo interno e as preocupações locais devem ser resolvidas com uma abordagem virada para o mercado, que vai pavimentar o caminho para o uso a preços acessíveis do gás, que será o motor do lançamento de um crescimento sustentado na indústria e na agricultura".

O consórcio liderado pela petrolífera francesa Total conseguiu em 2020 angariar os 15,8 mil milhões de dólares que faltava para completar o orçamento total de 23 mil milhões de dólares para investir no megaprojeto de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma, cuja primeira exportação deverá acontecer mais perto de 2025.

A exploração de gás natural no norte de Moçambique é o maior investimento privado da África subsaariana e os analistas e observadores internacionais salientam que tem o poder para alterar a economia moçambicana se as receitas forem bem utilizadas.

A Câmara de Energia Africana, sediada em Joanesburgo, é uma entidade privada destinada a fomentar o investimento em África. 

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