Mariano Nhongo rejeita mediação do Conselho Cristão de Moçambique | Moçambique | DW | 28.02.2020
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Moçambique

Mariano Nhongo rejeita mediação do Conselho Cristão de Moçambique

Líder da autoproclamada Junta Militar da RENAMO, Mariano Nhongo, não aceita mediação do Conselho Cristão de Moçambique, antes que o Governo divulgue ou dê avanço ao documento que enviou para o Executivo no ano passado.

Mariano Nhongo afirma que o seu interlocutor é o Presidente Filipe Nyusi

Mariano Nhongo afirma que o seu interlocutor é o Presidente Filipe Nyusi

Esta semana, o Conselho Cristão de Moçambique manifestou-se disponível para mediar a crise interna na Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO). Em entrevista à DW África, Mariano Nhongo responde que rejeita a mediação e acusa o Governo de ignorar as exigências da Junta Militar.

"Eu rejeitei os cristãos para negociar. O que vou negociar com eles? Já mandei o documento ao Governo. O Presidente Jacinto Nyusi recebeu o documento, entrou no gabinete com seus quadros e leram-no, só que eles não querem cumprir com o documento como são sanguinários", critica.

Nhongo diz ainda que, caso haja interesse por parte do Governo, deve antes ser divulgado através dos meios de comunicação social o documento submetido ao Executivo moçambicano. "Se é negociação, eu peço que o Presidente Nyusi anuncie aquele documento para todo o povo moçambicano e os países vizinhosouvir ouvirem".

Caso não seja respeitada esta exigência, Mariano Nhongo diz que a paciência para esperar por uma negociação vai-se esgotar. Ao mesmo tempo, assume estar cansado das armas. "Estamos cansados de estar com as armas no mato, se for assim chegará o tempo em que nós já não vamos negociar com ninguém. Sebemos a razão que nos fez fazer a revolução, em 2014, quando a RENAMO tinha ganho seis províncias", lembra.

O líder da autoproclamada Junta Militar considera que as eleições de 2019 deveriam ser anuladas. "Se a FRELIMO não anular  votos neste ano nunca mais há-de haver votos em Moçambique, só há-de haver voto das armas", diz.

RENAMO diz que Nhongo é uma questão do Estado

Por seu turno, a RENAMO afirma que "a questão Nhongo é uma questão do Estado". José Manteigas, porta-voz do principal partido da oposição, acusa ainda o Governo moçambicano de ter criado a autoproclamada Junta Militar com o objetivo de descredibilizar a RENAMO.

Ouvir o áudio 03:18

Nhongo rejeita mediação do Conselho Cristão de Moçambique

"Foi o Governo da FRELIMO que criou o grupo Nhongo e o sinal mais claro e evidente de que eles são os os pais do grupo Nhongo é o espaco televisivo que foi reservado a Nhongo no dia 14 de outubro fora da campanha", acusa José Manteigas.

Ao mesmo tempo, o porta-voz da RENAMO apela a Mariano Nhongo que volte ao diálogo com a RENAMO: "As portas da RENAMO estão abertas. Se Nhongo se sente membro do partido RENAMO, tem que vir ao partido e colocar as suas preocupações. Em sede própria as suas preocupações serão resolvidas."

Deslocações em massa da população

O conflito armado no centro de Moçambique dura há mais de sete meses e já causou várias mortes. Várias pessoas deslocaram-se das suas zonas de origem devido ao conflito. 

A Ordem dos Advogados em Sofala mostra-se preocupada com as deslocações em massa da população. Vicente Mondlane, representante da Ordem dos Advogados, insta o Governo moçambicano a tomar medidas urgentes de modo a que a população não perca a dignidade nem as condições mínimas de vida por conta do conflito, quer em Cabo Delgado quer em Sofala e Manica. 

"É necessário eliminar as causas desses conflitos, que não estão só a deslocar pessoas, também se está a perder vidas humanas. É preciso assegurar e prevenir que haja mais mortes resultantes destes conflitos", sublinha Vicente Mondlane. "É preciso garantir que mocambiçanos não percam mais a vida por causa de conflitos armados. O Governo deve estar lá para garantir que essas pessoas não sofram as consequências."