Líderes mundiais reagem à intervenção dos EUA na Venezuela
3 de janeiro de 2026
O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, afirmou hoje (03.01) que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a sua mulher se encontram a bordo de um navio de guerra norte-americano e que o chefe de Estado venezuelano será julgado em Nova Iorque.
Donald Trump disse ainda ter assistido em direto à operação para capturar e retirar Nicolás Maduro do país. "Eu assisti, literalmente, como se estivesse a ver um programa de televisão", afirmou o Presidente norte-americano, em entrevista à Fox News, citado pela agência Associated Press (AP).
"Assistimos numa sala e acompanhámos todos os detalhes", acrescentou Trump, segundo a Agência France-Presse (AFP), sem especificar quem mais esteve presente durante a operação.
O Presidente dos Estados Unidos afirmou também que as forças norte-americanas estavam preparadas para realizar ainda hoje uma "segunda vaga" de ataques contra a Venezuela, mas sustentou que a primeira ofensiva "foi tão letal” que não se tornaram necessárias ações adicionais.
Entretanto, simpatizantes chavistas saíram às ruas no centro de Caracas este sábado para exigir que os Estados Unidos "devolvam" o Presidente da Venezuela, capturado horas antes por forças especiais norte-americanas durante um ataque com mísseis a alvos na capital venezuelana e noutras regiões do país.
Reações mundiais
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou hoje "grande preocupação" com a situação na Venezuela, alvo de ataques dos Estados Unidos, e apelou a "uma resolução em pleno respeito pelo Direito Internacional". "Estou a acompanhar a situação na Venezuela com grande preocupação. A União Europeia apela à desescalada e a uma resolução em pleno respeito pelo Direito Internacional e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas", escreveu o antigo primeiro-ministro português numa mensagem publicada na rede social X.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou "profunda preocupação" com a recente "escalada de tensão na Venezuela" que, segundo alertou, pode ter "implicações preocupantes" para a região. Guterres destacou, por meio do seu porta-voz, Stéphane Dujarric, que os recentes acontecimentos constituem "um precedente perigoso" para a ordem internacional.
"O secretário-geral está profundamente preocupado com o facto de as normas do direito internacional não terem sido respeitadas", disse o porta-voz, sem entrar em detalhes sobre o alcance ou as circunstâncias da ação militar dos Estados Unidos, nem sobre possíveis responsabilidades específicas.
O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, considerou que os ataques dos Estados Unidos à Venezuela "ultrapassam uma linha inaceitável" e constituem "uma afronta gravíssima" à soberania do país sul-americano. Numa publicação na rede social X, o chefe de Estado brasileiro afirmou que as ações militares realizadas hoje, que resultaram na captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua mulher, representam "mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional". "Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", escreveu Lula da Silva.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que todos os países devem "respeitar o direito internacional", na sequência do anúncio feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a "captura" do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Starmer adiantou ainda que pretende falar com Trump, sublinhando, no entanto, a necessidade de "apurar os factos", e garantiu que o Reino Unido não participou na operação.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu a "desescalada" após o ataque militar perpetrado pelos Estados Unidos contra a Venezuela e defendeu o respeito ao direito internacional e aos princípios da Carta das Nações Unidas.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba manifestou apoio ao Governo venezuelano e à vice-Presidente executiva. "Apoiamos e acompanhamos a declaração emitida pela vice-presidente executiva da Venezuela, companheira Delcy Rodríguez, e a vontade de firmeza e soberania do povo bolivariano e chavista, da União Cívico-Militar-Policial e do seu Governo", escreveu Bruno Rodríguez Parrilla, nas suas páginas nas redes sociais.
Já o Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o que definiu como "agressão militar" dos Estados Unidos contra a Venezuela e defendeu o diálogo para evitar uma piora da situação na região. "Na situação atual é crucial, acima de tudo, evitar uma maior escalada e focar em encontrar uma saída através do diálogo", afirmou a pasta em comunicado.