Louis Rwagasore, o príncipe da união no Burundi | História de África - Raízes Africanas | DW | 01.02.2018
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História de África

Louis Rwagasore, o príncipe da união no Burundi

É uma das figuras menos conhecidas das independências africanas, no entanto, o príncipe Louis Rwagasore levou o Burundi à independência sem recurso à violência. É ainda hoje considerado um herói neste país.

Nasceu: a 10 de janeiro de 1932, em Gitega, e morreu, assassinado, a 13 de outubro de 1961, em Bujumbura.

A sua popularidade deve-se ao seu sangue real?

É verdade que Louis Rwagasore cresceu com os privilégios de um príncipe: era o filho mais velho de Mwambutsa Bangiricenge, Rei do Burundi, e teve uma boa educação numa das mais importantes escolas secundárias do Ruanda, sob a tutela belga. Após os estudos em administração e agronomia em Bruxelas, onde teve contacto com estudantes de todo o continente africano, Rwagasore voltou ao seu país, em 1956, e tornou-se um animal político - foi o seu carisma e as suas habilidades como estratega que fizeram dele uma pessoa popular.

Como conseguiu unificar os burundeses?

Louis Rwagasore era um diplomata hábil e um grande unificador. Impressionou os burundeses, primeiro pelo seu espírito de iniciativa, com a criação de cooperativas agrícolas que deveriam devolver aos burundianos o controlo dos seus meios de produção e pôr fim à monocultura do café. Em segundo lugar, pelas suas relações com grandes figuras da independência africana, o príncipe Louis Rwagasore esteve diversas vezes com o congolês Patrice Lumumba, trocou cartas com o egípcio Gamal Abdel Nasser e desenvolveu o seu projeto político graças ao seu amigo Julius Nyerere. O projeto das cooperativas agrícolas falhou, mas tornou-o famoso e permitiu a criação do seu Partido da União pelo Progresso Nacional (UPRONA), em 1958, com uma base militante muito diversificada.

Qual é o lugar dele no panteão dos heróis da independência africana?

No Burundi, Rwagasore é um herói homenageado em cada celebração da independência e continua a ser o símbolo da transição para uma independência pacífica e um Burundi unido. Estádios, escolas, bibliotecas e avenidas - os tributos ao herói nacional estão em toda a parte. Após a guerra civil no Burundi, os signatários do Acordo de Paz de Arusha, em 2000, referiram a sua "liderança carismática" que "tornou possível ao Burundi evitar confrontos políticos com base em considerações étnicas" - pelo menos até a independência ser proclamada. A sua morte precoce impediu-o de "olhar para os problemas reais da nação: especialmente os problemas económicos, de emancipação social da população, relacionados com a educação e tantos outros, para os quais encontraremos as nossas próprias soluções", como ele prometeu durante o seu discurso quando se tornou primeiro-ministro.

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Louis Rwagasore, o príncipe da união no Burundi

"Um Burundi pacífico, feliz e próspero": foi este o sonho do príncipe Louis Rwagasore, que se apaixonou pela economia e se convenceu que a independência poderia ser alcançada de forma pacífica. Em 1961, Rwagasore era o jovem por detrás do movimento que levaria o Burundi à independência. Eleito primeiro-ministro, Louis Rwagasore estava confiante: "Queremos preparar-nos, tomar as rédeas. Sem exageros, acho que levará cinco a oito meses. Queremos que as coisas sejam bem feitas".

No ano seguinte, a vitória estava já à vista, depois de uma luta feroz, mas sem recurso à violência, tal como havia idealizado. A independência chegaria a 1 de julho de 1962. Mas sem ele. Alguns meses antes, o chefe do UPRONA foi baleado nas costas e morreu. No entanto, e como explica explica Boyi Athanase, ex-funcionário do UPRONA, no Burundi, ele é ainda hoje considerado o verdadeiro herói da independência. 

Athanase tinha 14 anos quando viu o príncipe Louis pela primeira vez. "Foi no dia 13 de novembro de 1959 . Era um jovem muito bonito, imponente e carismático", recorda, acrescentando que foi o "carisma e a abertura ao mundo" de Rwagasore que fizeram com que este "desenvolvesse relações com os maiores líderes políticos da época, como Julius Nyerere, Patrice Lumumba, Kwame Nkrumah".

No entanto, Louis Rwagasore também tinha muitos inimigos. Em primeiro lugar, na administração colonial, que se enfureceu por não ter desconfiado deste jovem estudante com sangue real. As autoridades belgas até o deixaram estudar em Bruxelas. Uma experiência que lhe permitiu ter contacto com estudantes dos quatro cantos do continente africano e que acabou por ser decisiva para o país. Em 1956, Louis Rwagasore voltou a Bujumbura, apaixonado pela economia e com o sonho de conseguir a independência.

Émile Mworoha, doutorada em História e professora da Universidade do Burundi, em Bujumbura, lembra o caráter visionário de Louis Rwagasore. "Ele teve a visão de um Burundi independente. Também teve a visão para o desenvolvimento, e foi nesse contexto que criou as cooperativas, porque, para além do cultivo do café, o Burundi ainda era um país rural subdesenvolvido. No entanto, Rwagasore iniciou cooperativas para que os burundeses pudessem participar nas trocas económicas modernas", explica.

Um projeto que falhou. Ainda assim, Rwagasore não baixou os braços e quis a todo custo alcançar a independência, evitando a violência e acompanhando com atenção as tensões étnicas que já haviam separado o país vizinho, o Ruanda.

A professora da Universidade do Burundi não tem dúvidas de que o trabalho do príncipe foi "bem sucedido", uma vez que o "Burundi conseguiu a sua independência, quase sem tensões. O seu partido UPRONA foi igualmente o partido dos Hutus, dos Tutsis e dos Ganwas", concluiu.

Após a vitória eleitoral do seu partido em setembro de 1961, o jovem primeiro-ministro Rwagasore convidou os burundeses à união, com a emancipação social do povo e o desenvolvimento económico do país em vista. No entanto, foi morto a tiro num hotel em Bujumbura, a 13 de outubro de 1961. Tinha 29 anos.

Após a sua morte, as rivalidades políticas e as tensões étnicas conduziram o Burundi a uma sucessão de crises. O mito do príncipe Rwagasore também se baseia nesses sonhos de união que não se realizaram.

O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

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