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Chefes militares da CEDEAO visitam Bissau

20 de junho de 2026

Delegação de chefes das Forças Armadas da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) encontra-se em Bissau para se inteirar do processo de transição em curso no país, segundo fontes oficiais.

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Soldado na Guiné-Bissau
Soldado em Bissau (foto de arquivo)Foto: Andre Kosters/EPA

Segundo publicações na página oficial das Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) da Guiné-Bissau, a delegação chegou a Bissau ao início da noite de sexta-feira e ficará durante cinco dias para contactos com entidades locais.

Os militares tomaram o poder a 26 de novembro de 2025 na Guiné-Bissau, anunciaram um período de transição de 12 meses e convocaram eleições gerais, presidenciais e legislativas, para 06 de dezembro.

Com a alteração da ordem constitucional, a Guiné-Bissau foi suspensa de todas as organizações internacionais de que é membro, nomeadamente da CEDEAO, que tem enviado missões de bons ofícios ao país para mediar a crise política. 

A visita de cinco dias da delegação dos Chefes do Estado-maior General das Forças Armadas da CEDEAO "enquadra-se no propósito de acompanhar o período transitório no país", segundo informam as FARP da Guiné-Bissau.

De acordo ainda com a fonte, "durante este tempo, a missão chefiada pelo Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas da Serra Leoa (Amara Idara Bangura) irá manter sessões de trabalho com as entidades militares e paramilitares guineenses".

A delegação é ainda integrada pelos chefes militares de Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Senegal. A imprensa local relatou que a missão, além de reuniões com o Alto Comando Militar, autor do golpe, terá encontros com as representações diplomáticas de países da CEDEAO em Bissau.

Esta mesma missão de chefes militares da CEDEAO devia ter visitado Bissau um mês depois do golpe de Estado, mas na altura foi cancelada, sem que tenham sido apresentados os motivos.

Nessa ocasião, o chefe da diplomacia senegalesa, Cheikh Niang, e mais tarde o ministro da Defesa do mesmo país, general Birame Diop, acabaram por visitar Bissau na tentativa de facilitar o cumprimento das diretrizes emitidas pelos chefes do Estado da CEDEAO na sequência do golpe.

Domingos Simões Pereira, o prisioneiro que não existe?

Diretrizes

Entre essas diretrizes está a formação de um governo civil e o retorno dos militares às casernas, bem como a libertação de opositores políticos detidos, entre os quais Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, dissolvido em 2023.

Simões Pereira foi detido no dia do golpe militar de novembro de 2025 e passou mais de 60 dias na prisão da Segunda Esquadra de onde saiu em janeiro passado para prisão domiciliária.

A oposição e os advogados de Simões Pereira têm apelado para a libertação com o argumento de que a prisão domiciliária é ilegal.

O político está a ser investigado pelo Tribunal Militar por suspeita de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado que terá ocorrido em outubro de 2025, acusação negada pelos seus advogados.

Esta alegada tentativa de golpe terá ocorrido um mês antes das eleições gerais que se realizaram a 23 de novembro de 2025 e que foram interrompidas pelo golpe militar consumado três dias depois sem que tenham sido divulgados os resultados oficiais.

O candidato da oposição, Fernando Dias, reclamava vitória sobre o Presidente da República e recandidato, Umaro Sissoco Embaló, deposto no golpe militar, que a oposição classifica como encenação para alegadamente contornar a derrota eleitoral.

O líder do histórico PAIGC, Simões Pereira, e o partido foram, pela primeira vez, afastados das eleições por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que esteve refugiado durante cerca de dois meses na embaixada da Nigéria, em Bissau, e atualmente na residência pessoal.

A CEDEAO tem acompanhado a situação na Guiné-Bissau que deverá ser um dos temas na próxima cimeira de chefes de Estado marcada para o próximo mês, em Freetown, capital da Serra Leoa.

Depois da saída de Níger, Burquina Faso e Mali, a organização dos Estados da África Ocidental integra atualmente 11 países: Benim, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Libéria, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

Guiné-Bissau à espera da decisão da CEDEAO